segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Acervos

Hermínio Bello de Carvalho | Produção Cultural no Brasil

No link acima, Hermínio fala de um assunto, a meu ver, muito importante: a disponibilização dos acervos pessoais para que outras pessoas tenham contato. Por mais que tenha sido um investimento pessoal, esses acervos, em geral, têm um conteúdo que merece ser compartilhado. Aliás, não acrescentam nada se ficam guardados em alguma estante. No começo dos anos 2000 houve um esboço de movimento para digitalizar e trazer à tona esses acervos. Não apenas os pessoais, mas também aqueles que pertencem a empresas, principalmente a gravadoras.
Hoje, a impressão que tenho é a de que esse movimento está um pouco estagnado. Porém, se observarmos o que temos disponível pode-se dizer que há um bom resultado dessa movimentação que chegou a acontecer. Já é possível acessar alguns acervos que nos permitem estudar ou relembrar uma parte da música brasileira. Em alguns casos, o acesso é fácil e rápido (como o acervo da Funarte), em outros, complicado (como os acervos de Tom Jobim e Dorival Caymmi).
Durante o período em que elaborei o meu “Trabalho de Conclusão de Curso”, pude conhecer de perto dois acervos que me impressionaram muito. Um, o do historiador e crítico José Ramos Tinhorão. Na época, o acervo ainda estava em catalogação no Instituto Moreira Salles, em uma sala ampla de um prédio na Avenida Paulista. Lembro-me que, da primeira vez que entrei naquela sala, fiquei impressionada com a quantidade de livros, discos, recortes de jornais, revistas, catálogos, ingressos, etc. Como o próprio Tinhorão me disse na época, isso tudo é material de referência. Quer documento melhor do que um ingresso para saber quando e onde aconteceu um show?. Hoje, a parte musical do acervo pode ser ouvida no site do Instituto Moreira Salles. O outro acervo que me impressionou foi o de Humberto Franceschi, pesquisador carioca que me recebeu em sua casa, no Rio de Janeiro. Embora a maior parte dos seus discos já estivesse em poder no IMS, ele ainda tinha muito material em seu escritório, entre discos, livros e fitas. Mas o mais interessante disso tudo é perceber o conhecimento que esses pesquisadores têm sobre a música. Vá lá que às vezes são bem conservadores, mas não se pode negar que a experiência e vivência faz com que tenham um conhecimento acima daquele acadêmico, de quem só estuda sobre o assunto. E, talvez por isso, eles mesmos disponibilizarem seus acervos seja algo tão importante e significativo. Ouvir do próprio Franceschi como foi feita a gravação de uma cópia do acervo de Lúcio Rangel (quando ele vendeu seu acervo para Carlos Lacerda fazer o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro) parece mais interessante do que apenas saber que o acervo foi vendido.
Mais recentemente, estive na casa do radialista Walter Silva (falecido em fevereiro do ano passado). No escritório, seu acervo se resumia a um punhado de CDs (a digitalização dos discos e gravações que foram vendidos ao IMS). Ainda que não se pudesse ver o volume, olhar aquelas imagens de cartazes de todos os shows dos quais ele participou (enquadradas e penduradas na parede) me dava a real noção de onde eu estava. E ouvir, é claro, ele falar de todas aquelas gravações, shows e espetáculos.
Aqui, aqui vocês podem ver as minhas impressões (de muitos anos atrás) sobre os acervos de Tinhorão e Franceschi. Nos marcadores aí do lado têm mais algums e, espero, em breve, teremos outros mais.

Aqui, uma lista de acervos que estão disponíveis online. Cada um com seus erros e acertos
www.acervohbc.com.br
www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes
www.ims.com.br
www.dorivalcaymmi.com.br
www.jobim.org

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