<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533</id><updated>2011-08-05T13:05:47.769-07:00</updated><category term='Matérias publicadas - discos'/><category term='Matérias publicadas - Entrevista'/><category term='Matérias publicadas - Livros'/><category term='Matérias publicadas - Acervos Pessoais'/><category term='Acervos Pessoais'/><category term='Livros'/><category term='Matérias publicadas - gravadoras'/><category term='Matérias publicadas - biografias'/><category term='Entrevistas'/><title type='text'>Guia da Memória Musical Brasileira</title><subtitle type='html'>Esse é um espaço para deixar resitrado os trabalhos que pesquisadores, músicos e apaixonados por música fazem para manter intacta a história desse patrimônio nacional. A intenção não é avaliar os projetos como mais ou menos importantes. Quero apenas traçar um pequeno panorama desse cenário de preservação da memória da música brasileira e apresentar alguns projetos para vocês. Sejam bem-vindos!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>20</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-8950390150540154371</id><published>2010-11-06T09:17:00.000-07:00</published><updated>2010-11-06T09:17:27.835-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matérias publicadas - Livros'/><title type='text'>Desde que o samba é samba</title><content type='html'>Livro narra a história do Estácio, o bairro do Rio que virou casa de bamba&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucas Nobile - O Estado de S.Paulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o princípio da década de 1950 e grande parte dos imóveis da Rua São José, que chegava até a principal Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro, seria desalojada para dar lugar à construção do edifício do Terminal Menezes Côrtes, até hoje no local. Tal movimentação se refletiria como uma "salvação e a abertura de uma realidade" na vida do jovem Humberto Franceschi, na época com seus vinte e poucos anos.&lt;br /&gt;Tudo porque, com tal debandada, instalou-se ali um imenso sebo de discos, que pegava quase que a rua inteira. Naquele momento, milhares de álbuns de grande musicais americanos e das big bands da Metro invadiam a São José, atraindo toda a atenção dos ouvidos da garotada. Pelo pedaço, a música brasileira era relegada a planos bem inferiores e os registros dos raríssimos discos da Casa Edison eram vendidos a preço de muamba, praticamente dados, algo hoje na casa de 50 centavos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Franceschi comprava justamente estes apenas para ouvir, por prazer e curiosidade. Mal sabia que ali começava a construir o arcabouço que o formaria como um dos maiores pesquisadores de música popular brasileira. Tempos depois, ao longo dos anos 50 e 60, sua casa já era tomada em reuniões informais por verdadeiras lendas do cancioneiro nacional, como Ismael Silva, Heitor dos Prazeres, Alcebíades Barcelos, o Bide, Getúlio Marinho, o Amor, entre outros bambas do Estácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Franceschi travava contato estreito com os músicos e ouvia suas composições com atenção, mas quem lhe alertou mesmo para tamanha inventividade daqueles sambas foi o amigo e jornalista Lúcio Rangel. Depois do estralo, começava rondar a cabeça de Franceschi a ideia de escrever um livro sobre os personagens reais e a história do celeiro de onde vieram, o Estácio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A terceira aventura do pesquisador - antes ele já havia escrito os dois belos livros Registros Sonoros por Meios Mecânicos no Brasil (Studio HMF, 1984) e A Casa Edison e seu Tempo (Sarapuí, 2002) - emerge agora com o lançamento de Samba de Sambar do Estácio - 1928 a 1931 (Instituto Moreira Salles e Imprensa Oficial), na próxima terça, às 20 horas, no IMS, no Rio, em mesa redonda com outro pesquisador notável, José Ramos Tinhorão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A feitura do livro pode ser chamada de aventura pelo fato de não haver nenhum documento ou notícias de jornal que contassem a história do bairro a ser retratado. "A grande concentração do Estácio se dava no mangue e, na década de 1930 o mangue era pecado. Se eu escrevesse o livro, as pessoas iriam dizer que era mentira. Indo até lá, não existe mais nada, foi tudo demolido", comenta Franceschi, com 80 anos completados no último dia 9 de setembro e uma memória absurda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caminho do pesquisador recebeu clarões elucidativos em dois momentos. O primeiro, quando ele descobriu na prefeitura do Rio que, em 1928, toda a região havia sido aerofotografada. O material permaneceu intacto, sem intervenções até passar, em 1935, por um levantamento cartográfico sobre o voo, resultando em desenhos de todas as ruas e casas do Estácio. O segundo, veio, despretensiosamente, das mãos de Francisco Duarte. "Ele era repórter do Jornal do Comércio e vidrado em gafieira. Após sua morte, eu fiquei cerca de três anos correndo atrás de pistas da família dele. Encontrei a filha, que me mostrou fitas registradas por ele em um gravador sobre o que ele sempre dizia ser gafieira. O material estava muito confuso, com gravações em cima de gravações, mas eu fui perceber que aquilo não era gafieira coisa nenhuma, eram registros que documentavam coisas preciosíssimas de remanescentes do Estácio", diz o pesquisador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a estrada enfim mais iluminada, Franceschi pensou primeiramente em fazer apenas um CD com os sambas mais representativos do Estácio, mas julgava ser pouco demais para ilustrar tamanha riqueza. Depois veio então a ideia de fazer um DVD contando o que foi o bairro, um mapa da região e não 20, mas 100 músicas relevantes do Estácio. A intenção foi além e o livro Samba de Sambar do Estácio terá encartado esse DVD. Há imagens belíssimas, documentos raros, mas o destaque mesmo fica por conta dos áudios de joias como Ando Sofrendo, de Rubens Barcelos e Roberto Martins (Odeon, 1937), com arranjo do acadêmico e erudito Simon Butman, em contraposição a Você Chorou (Victor, 1935), de Sílvio Fernandes, o Brancura, arranjada por um gênio popular, Pixinguinha. Sem contar também Quem eu deixar não quero mais (Odeon, 1928), primeira composição do Estácio, feita por João de Oliveira e Edgar Marcelino dos Santos, o genial Mano Edgar, assassinado três anos depois dentro de uma barbearia no número 40 da Rua Carmo Neto, em decorrência de problemas com o jogo do bicho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A intenção do DVD é mudar esse conceito em relação aos livros de história da música popular brasileira. Não adianta nada você escrever o livro e o leitor não ouvir sobre aquilo para entender realmente do que se trata", explica Franceschi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda as preciosidades do DVD são um luxo para o público. Mesmo assim, não apagam, pelo contrário, só acrescentam à qualidade e o rigor da pesquisa do autor na confecção do livro. A obra é um exemplo de preservação da música nacional e do patrimônio cultural por meio dos casos de um bairro, seus costumes e seus personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um documento histórico que conta a história de Ismael Silva (o maior em termos de produção), Heitor dos Prazeres, Mano Edgar, Bide, Getúlio Marinho, Bucy Almeida, Sylvio Fernandes, Zé Espinguela (com seus pontos de candomblé), que inovaram no gênero, com andamento particular marcado por uma levada basicamente percussiva; o surgimento de termos, como "malandro capoeira"; os blocos, como o principal Deixa Falar; a contribuição do bairro para que o futebol aceitasse jogadores negros em seus times; os equívocos dos pelegos de um embrião do Ministério do Trabalho infiltrados nos blocos na tentativa de transformá-los em ranchos vigiados pela polícia para que não houvesse conotações políticas nos sambas. Há ainda depoimentos, tabelas e gráficos sobre ascensão e queda da produtividade do Estácio. Enfim, um material de riqueza intangível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Matéria publicada no site do jornal O Estado de S.Paulo em 6 de novembro de 2010)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-8950390150540154371?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/8950390150540154371/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=8950390150540154371' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/8950390150540154371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/8950390150540154371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2010/11/desde-que-o-samba-e-samba.html' title='Desde que o samba é samba'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-182635223292626478</id><published>2010-11-05T18:07:00.000-07:00</published><updated>2010-11-05T18:07:00.884-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Livros'/><title type='text'>Humberto Franceschi e o Estácio</title><content type='html'>O pesquisador Humberto Franceschi vai lançar na terça-feira, dia 9, o livro "Samba de Sambar do Estácio", no Instituto Moreira Salles do Rio de Janeiro. Ainda não li o livro, mas trata-se do resultado de 20 anos de pesquisa de Franceschi, que descreve o momento em que o samba se transformou nas mãos de Ismael Silva, Brancura, Bide, Nilton Bastos, Getúlio Marinho, Heitor dos Prazeres, entre muito outros que compuseram sambas com identidade própria, diferentes dos sambas-maxixes populares na época. Eu entrevistei Humberto Franceschi em 2002, na sua casa, no Rio de Janeiro, para o meu trabalho de conclusão de curso da faculdade. Naquele dia, ele abriu um mapa que mostrava a região do Estácio em 1928 e já tinha começado a refazer o trajeto que os blocos percorriam naqueles primeiros anos do século 20. "Tiraram a música do Estácio e levaram para as gravadoras, onde os diretores artísticos húngaros e poloneses a civilizaram utilizando, por exemplo, o violino, o que é inteiramente conflitante com a verdadeira música do Estácio. E o que você ouve hoje são esses arranjos", disse o pesquisador em 2002.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NRJ-xaczjZA/TNSpY9uANkI/AAAAAAAAADs/FxyN-NesU1A/s1600/Franceschi.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="227" src="http://4.bp.blogspot.com/_NRJ-xaczjZA/TNSpY9uANkI/AAAAAAAAADs/FxyN-NesU1A/s320/Franceschi.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Humberto Franceschi mostra o mapa do Estácio. Foto tirada em 2002 por Aloisio Milani&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&amp;nbsp;Seguindo a mesma linha dos outros livros lançados por Franceschi, esse vem acompanhado por um DVD multimídia que reúne 100 músicas (como “Mulher de malandro”, de Heitor dos Prazeres, e “Homenagem”, de Carlos Cachaça com Cartola), 54 imagens (entre fotografias e gravuras) e 21 depoimentos (como os de Athanazia e Bucy Moreira) citados na publicação. O DVD também possui um mapa do Rio de Janeiro datado de 1935. O roteiro proposto no mapa, enriquecido por fotografias, sugere um passeio do largo de São Domingos ao Estácio de Sá, cruzando o Campo de Santana, a praça Onze e a zona do Mangue. &lt;br /&gt;Depois que eu ler, conto mais.Se quiser saberum pouco mais sobre o acervo do pesquisador, vendido para o Instituto Moreira Salles, leia &lt;a href="http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/01/humberto-fraceschi.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-182635223292626478?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/182635223292626478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=182635223292626478' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/182635223292626478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/182635223292626478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2010/11/humberto-franceschi-e-o-estacio.html' title='Humberto Franceschi e o Estácio'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NRJ-xaczjZA/TNSpY9uANkI/AAAAAAAAADs/FxyN-NesU1A/s72-c/Franceschi.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-4211437253199970168</id><published>2010-10-11T07:16:00.000-07:00</published><updated>2010-10-11T07:16:29.934-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Acervos Pessoais'/><title type='text'>Acervos</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.producaocultural.org.br/slider/herminio-bello-de-carvalho/"&gt;Hermínio Bello de Carvalho | Produção Cultural no Brasil&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No link acima, Hermínio fala de um assunto, a meu ver, muito importante: a disponibilização dos acervos pessoais para que outras pessoas tenham contato. Por mais que tenha sido um investimento pessoal, esses acervos, em geral, têm um conteúdo que merece ser compartilhado. Aliás, não acrescentam nada se ficam guardados em alguma estante. No começo dos anos 2000 houve um esboço de movimento para digitalizar e trazer à tona esses acervos. Não apenas os pessoais, mas também aqueles que pertencem a empresas, principalmente a gravadoras. &lt;br /&gt;Hoje, a impressão que tenho é a de que esse movimento está um pouco estagnado. Porém, se observarmos o que temos disponível pode-se dizer que há um bom resultado dessa movimentação que chegou a acontecer. Já é possível acessar alguns acervos que nos permitem estudar ou relembrar uma parte da música brasileira. Em alguns casos, o acesso é fácil e rápido (como o acervo da Funarte), em outros, complicado (como os acervos de Tom Jobim e Dorival Caymmi). &lt;br /&gt;Durante o período em que elaborei o meu “Trabalho de Conclusão de Curso”, pude conhecer de perto dois acervos que me impressionaram muito. Um, o do historiador e crítico José Ramos Tinhorão. Na época, o acervo ainda estava em catalogação no Instituto Moreira Salles, em uma sala ampla de um prédio na Avenida Paulista. Lembro-me que, da primeira vez que entrei naquela sala, fiquei impressionada com a quantidade de livros, discos, recortes de jornais, revistas, catálogos, ingressos, etc. Como o próprio Tinhorão me disse na época, isso tudo é material de referência. Quer documento melhor do que um ingresso para saber quando e onde aconteceu um show?. Hoje, a parte musical do acervo pode ser ouvida no site do Instituto Moreira Salles. O outro acervo que me impressionou foi o de Humberto Franceschi, pesquisador carioca que me recebeu em sua casa, no Rio de Janeiro. Embora a maior parte dos seus discos já estivesse em poder no IMS, ele ainda tinha muito material em seu escritório, entre discos, livros e fitas. Mas o mais interessante disso tudo é perceber o conhecimento que esses pesquisadores têm sobre a música. Vá lá que às vezes são bem conservadores, mas não se pode negar que a experiência e vivência faz com que tenham um conhecimento acima daquele acadêmico, de quem só estuda sobre o assunto. E, talvez por isso, eles mesmos disponibilizarem seus acervos seja algo tão importante e significativo. Ouvir do próprio Franceschi como foi feita a gravação de uma cópia do acervo de Lúcio Rangel (quando ele vendeu seu acervo para Carlos Lacerda fazer o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro) parece mais interessante do que apenas saber que o acervo foi vendido. &lt;br /&gt;Mais recentemente, estive na casa do radialista Walter Silva (falecido em fevereiro do ano passado). No escritório, seu acervo se resumia a um punhado de CDs (a digitalização dos discos e gravações que foram vendidos ao IMS). Ainda que não se pudesse ver o volume, olhar aquelas imagens de cartazes de todos os shows dos quais ele participou (enquadradas e penduradas na parede) me dava a real noção de onde eu estava. E ouvir, é claro, ele falar de todas aquelas gravações, shows e espetáculos. &lt;br /&gt;&lt;a href="http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/01/jos-ramos-tinhoro.html"&gt;Aqui&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/01/humberto-fraceschi.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; vocês podem ver as minhas impressões (de muitos anos atrás) sobre os acervos de Tinhorão e Franceschi. Nos marcadores aí do lado têm mais algums e, espero, em breve, teremos outros mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, uma lista de acervos que estão disponíveis online. Cada um com seus erros e acertos&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.acervohbc.com.br"&gt;www.acervohbc.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes"&gt;www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.ims.com.br"&gt;www.ims.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.dorivalcaymmi.com.br"&gt;www.dorivalcaymmi.com.br&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.jobim.org"&gt;www.jobim.org&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-4211437253199970168?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/4211437253199970168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=4211437253199970168' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/4211437253199970168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/4211437253199970168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2010/10/acervos.html' title='Acervos'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-856493837879580758</id><published>2010-02-18T16:48:00.000-08:00</published><updated>2010-03-02T10:43:15.452-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevistas'/><title type='text'>Adoniran Barbosa</title><content type='html'>Neste ano, comemora-se o centenário de Adoniran Barbosa. Remexendo meus guardados, encontrei a transcrição que eu e o jornalista Aloísio Milani fizemos com Maria Helena Rubinato, a filha de Adoniran, quando ainda estávamos na faculdade. Não me lembro exatamente em que ano isso foi feito, mas com certeza entre 2000 e 2002. A entrevista foi gravada em um MD que não sei onde está. A transcrição tem falhas, coisas que não entendi e não me lembro direito. Mas foi algo bem tocante, principalmente quando ela disse o quanto se sentia incomodada pelo relacionamento esparso que teve com o pai, o que não impediu as lembranças carinhosas. Vou publicar aqui os principais trechos dessa entrevista. Editei um pouco, tirei algumas coisas, acrescentei algumas palavras para tudo fazer um pouco mais de sentido, mas ainda está bem tosco, em uma linguagem mais falada do que escrita. Aqui, essa é a idéia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sobre uma música que ele teria feito para a mãe dela&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Um amor que já passou. Ele não gravou, mas já gravaram. Não sei como é que chegaram nela, porque eu ganhei de um cidadão daqui do Rio que mexe com música. Segundo ele, é o original da partitura, aquela que a editora faz, mas está escrito com a letra dele “Para Olga”. Nem gosto muito dessa música”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sobre a convivência com Adoniran&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Eu tinha seis meses quando eles se separaram, portanto a convivência até os seis meses é claro que não me lembro. Aí morei em São Paulo até os dois anos e, naturalmente, devia vê-lo com frequencia, mas também não me lembro. Aí vim para o Rio e enquanto eu fui muito pequenina ele vinha ao Rio com mais freqüência. Ele ficava na casa da irmã dele, onde eu estava. Daí ele foi diminuindo a freqüência. Ele detestava o Rio de Janeiro. E eu ia a São Paulo sempre nas férias. Isso foi até a adolescência. Depois a convivência ficou mais esgarçada ainda, porque adolescente já é mais difícil, não quer sair do lugar onde tem os amigos, os passeios, os programas, aquelas coisas. Mas eu ia pelo menos uma vez por ano e ele vinha ao Rio também uma vez por ano. Foi uma convivência mais esparsa mesmo, coisa até que me incomoda lembrar. Mas foi o destino, foi a vida, coisa que não tem como consertar agora”. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Sobre o fato de ter sido criada pelos tios&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Fui criada pela irmã dele, minha tia, que eu passei a chamar de mãe, e o marido dela, que eu passei a chamar de pai. Foram meus pais mesmo porque desde os seis meses, né?E, aliás, excelentes. Ele, então, que não era nem meu tio verdadeiro, foi um pai extraordinário. E o próprio “paizão” (eu chamava o Adoniran de “paizão”, sempre chamei), se referia a ele como “o seu pai”. Para o meu filho, ele dizia “trata bem do seu avô, o seu avô é um grande homem”. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Sobre a separação dos pais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“ele não gostava de comentar essas coisas. Por exemplo que o pátrio-poder ele não quis ceder. Ele perdeu a guarda, ele e ela, no desquite litigioso, e a minha tia, que eu chamo de mãe, passou a ser minha tutora legal. Mas, por exemplo, ela não podia botar o nome dela, me perfilhar, isso ele não queria. Eu fiquei como Maria Helena Rubinato até casar. Ele era um homem muito engraçado, muito divertido de ouvir falar, a gente ria muito, mas muito sério, aparentemente muito sério, e muito introvertido”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sobre a ascendência italiana&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Aquele gênio que nós sabemos de italiano, que ora está alegre, ora rabugento. Mas a única vez que eu o vi muito emocionado foi quando ele conheceu o neto. Ele aí baqueou e não pode fazer aquela persona. Ele baqueou mesmo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sobre a persona quando estava com a filha&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Eu acho que com todo mundo né? porque, não sei se é próprio das pessoas que sofrem muito na vida, ou na infância, porque a irmã dele também tinha isso, os outros irmãos também, todos meio com vergonha de expor seus sentimentos, mais fechados, não querendo demonstrar muito afeto. Não eram assim muito beijoqueiros, nem de abraçar. Olha, italiano típico, que tanto pode um dia estar muito bem como dali a meia hora estar zangado, brigando. Mas ele foi muito feliz com a segunda mulher, foi um casamento que deu certo. Ela só tinha elogios a ele. A gente via que ele gostava muito dela. Eles viveram 40 anos juntos”.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Sobre a convivência com a Matilde (a segunda esposa de Adoniran)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Conheci, conviver não. Sempre soube dela, conheço desde pequenininha. Eu acho que eles foram morar juntos eu tinha uns cinco anos e, quando eu ia a São Paulo, eu ia para o apartamento deles passar o dia, ela fazia as comidas que eu gostava, aquelas coisas. Eu me lembro desse paparico. A gente falava muito pelo telefone. Eu falava mais com ela do que com ele. Ela ligava, queria saber como é que eu ia, saber das coisas, dos namorados. Ela era mais extrovertida e mais meiga, gostava de saber. Não sei se era sermão encomendado ou se era espontâneo dela, mas acho que era espontâneo dela”. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Sobre vê-lo fazendo os programas de rádio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Os programas de rádio tinham platéia antigamente. E eu me lembro de ver a Escola Risonha, ele de aluno, aquele chapéu de palha. Eu, aliás, tenho um retrato dele vestido de Barbosinha, com uma dedicatória e tudo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sobre a lembrança de piadas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Não tenho. Quem sabe é o meu primo Sérgio, que foi o sobrinho que mais conviveu com ele porque morava em São Paulo, era rapaz e saía à noite com ele. O Adoniran era boêmio, quando moço. Quando mais velho, era o boêmio que chegava cedo em casa, mas era boêmio. Aqui do Rio eu acho curioso isso, ele não gostava do Rio, mas foi aqui que a música de mais sucesso dele teve prêmio, que foi o Trem das Onze, que ganhou o prêmio do IV centenário do Rio de Janeiro. Ele venceu sambas cariocas, e foi aí que o nome dele estourou nacionalmente”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sobre falar errado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Essa irmã dele, a Inês, que me criou, brigava com ele porque ele escrevia tudo errado. Se ele sabia falar direito, por que tinha que escrever tudo errado? por que não escreve certo? Ele dizia que ela não estava entendendo coisa nenhuma. Aí, com ela, às vezes ele falava ‘nóis vai’ só para irritá-la. Mas ele sabia perfeitamente falar. Aliás, tem uma frase dele que anda sendo deturpada por aí, mas que é assim. “pra falar errado, você tem que saber falar certo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu acho que você só pode deformar a língua propositadamente conhecendo muito bem. Tem um texto do Antonio Candido na capa de um disco do paizão sobre a linguagem do Adoniran que é uma maravilha”. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Sobre os amigos do Adoniran em São Paulo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Só me lembro de conhecer o Oswaldo Moles e o Blota Júmior, não me lembro de conhecer mais nenhum. Ele não era de levar amigos em casa. A casa dele era a casa dele. Ele era de encontrá-los na rua. São muito poucos os que foram na casa dele. Um dos que eu tenho certeza foi o Carlinhos Vergueiro, que ele adorou, achou uma simpatia. Isso ele me disse um dia pelo telefone, que tinha um rapaz que ele havia conhecido e morava no Rio, que ele gostava muito e queria que um dia eu conhecesse. E um dia eu conheci mesmo. É realmente uma simpatia”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sobre Elis Regina&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Ele gostava muito dela, pessoalmente, da pessoa dela. Ele achava uma simpatia e aprendeu a querer bem. E a Clara Nunes. São as duas que ele aprendeu a querer bem como gente, pessoa. Acho aquele vídeo que tem ele passeando com a Elis no Bixiga uma maravilha”.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Sobre Nair belo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;A Nair Belo parece que também era muito amiga dele. A Hebe também fez uma homenagem a ele, lindíssima, quando ele morreu, que me emocionou muito. &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Sobre os brinquedos que Adoniran fazia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Desde muito cedo, todos eles tinham um jeito com as mãos extraordinário. Ele fazia miniaturas que eram realmente lindas. Mas muita coisa se perdeu. Eu tinha uma bicicletinha que eu ganhei quando era criança e de tanto brincar quebrou. E ele fez uma para o meu filho, que de tanto brincar quebrou também”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Sobre as músicas que mais gosta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;“Adoro Vila Esperança porque me lembra um pouco o Nino Rota, que fazia as músicas dos filmes do Fellini. Trem das Onze acho graça na letra da música. Tenho um filho único que diz que aquilo foi a maldição, porque ele tem que voltar para casa pra cuidar da mãe, e Tocar na Banda, que eu sempre digo que tem que ser o Hino Nacional.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-856493837879580758?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/856493837879580758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=856493837879580758' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/856493837879580758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/856493837879580758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2010/02/adoniran-barbosa.html' title='Adoniran Barbosa'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-4463418310894408835</id><published>2010-02-18T14:56:00.000-08:00</published><updated>2010-02-18T15:00:30.054-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matérias publicadas - biografias'/><title type='text'>Noel e Adoniran</title><content type='html'>O jornal O Estado de S.Paulo publicou uma matéria com as situações opostas que acontecem ao tratar das biografias de Noel Rosa e Adoniran Barbosa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Centenários incompletos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano em que fariam 100 anos, Adoniran Barbosa é esquecido na avenida e Noel Rosa tem sua biografia embargada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucas Nobile&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não tenho herdeiros, não possuo um só vintém/ Eu vivi devendo a todos, mas não paguei ninguém." Em 1932, cinco anos antes de sua morte, Noel Rosa compôs o antológico samba Fita Amarela, relatando seus desejos para o dia de sua derradeira despedida. Agora, em 2010, ano em que vai se comemorar seu centenário (no dia 11 de dezembro), Noel jamais poderia imaginar que justamente seus herdeiros seriam os pivôs de um entrave que há quase duas décadas priva o público de ter acesso à vida e à obra do Poeta da Vila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2008, passados 70 anos da morte de Noel, seu cancioneiro entrou em domínio público. Porém, toda tentativa de esmiuçar a vida do compositor (não só dele, como de qualquer outra pessoa, de acordo com a constituição brasileira), de maneira não autorizada por seus herdeiros legítimos, inevitavelmente naufraga sem amparo jurídico por representar violação ao direito à privacidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa celeuma esbarra o trabalho mais completo já feito sobre vida e obra do compositor de Vila Isabel, Noel Rosa - Uma Biografia, de João Máximo e Carlos Didier. Lançado em 1990, pela Editora UnB, o livro ficou disponível em catálogo até 1994, vendendo cerca de 15 mil exemplares. No período seguinte - até hoje -, houve várias tentativas para reeditar a biografia, com editoras como José Olympio, Ed. 34, Cosac Naify e, por último a Ediouro, mas nenhuma vingou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da morte de Noel, no dia 4 de maio de 1937, todo seu material ficou sob a tutela de sua esposa Lindaura, que faleceu apenas em agosto de 2001. Assim que a viúva morreu, duas sobrinhas do Poeta da Vila, Irami Medeiros Rosa de Melo e Maria Alice Joseph (filhas do irmão de Noel, Hélio Rosa) apareceram para reivindicar a herança do tio. Afirmando que Noel nunca fora casado com Lindaura, e que elas eram as verdadeiras herdeiras, ambas moveram um processo contra os autores da biografia e a UnB, alegando invasão de privacidade da família Medeiros Rosa. "A gente estava dentro da lei, mas tem essa coisa, que surgiu com a constituição de 88, de que não se pode tocar na vida privada. É fácil fazer biografias cor-de-rosa. Nosso livro não é sensacionalista, apenas aborda pontos nevrálgicos da vida do Noel, como o suicídio da avó e o acidente no queixo, fundamental para compreender o estigma do gênio. É como a biografia do Roberto Carlos. No fim das contas, vão vetando o acesso dos brasileiros às informações. Vivemos na escuridão, na era do controle. Sem contar que temos fotos e a certidão do casamento de Noel com Lindaura", diz o autor da biografia Carlos Didier. "Lindaura foi uma lavadeira. O livro esmiúça nossa vida privada, botou minha família na lama. Isso é inveja, não conheço os autores, mas os comentários deles não me atingem. Sem o livro, eles devem estar bem tristinhos. Confio incondicionalmente no meu genro, que cuida de tudo isso, não vou mais me envolver, já estou com uma certa idade. Mas não tenho pressa, nunca precisei de direito autoral para sobreviver. É tudo uma questão de sentar e negociar", responde por telefone Irami, sobrinha de Noel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por causa do embargo, a biografia que representa o mergulho mais profundo e vertical sobre a figura de Noel Rosa tornou-se artigo de colecionadores ou endinheirados. Para se ter uma ideia, em janeiro, o site www.estantevirtual.com.br apontava sebos que vendiam o livro a R$ 400. Hoje, paga-se R$ 290 por um exemplar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para piorar o cenário, os autores João Máximo e Carlos Didier afastaram-se totalmente e não se falam desde 1997. "Posso garantir que este livro nunca mais será relançado. Eu entendo que não bastaria apenas mais uma reimpressão. Teríamos de reparar erros que existem e dar uma enxugada na extensão do livro. Eu cheguei a procurar o Didier por várias vezes, mas ele não atendeu. Hoje não seria mais possível trabalharmos com a mesma harmonia de antigamente", esclarece João Máximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, pode haver ainda esperança em relação a um relançamento da biografia. Segundo Didier, há pouco tempo ele recorreu a Paulo Roberto Pires, da Editora Agir, para que ele intermediasse uma reaproximação com Máximo. "É claro que eu quero que este livro saia novamente. Meu problema com o João não foi superado, mas Noel Rosa é superior a isso", explica Carlos Didier.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MALOCA PARA TODOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a biografia de Noel Rosa corre o risco de nunca mais ser publicada, condenando a atual e as futuras gerações a não saberem quem foi o autor de pérolas como Com Que Roupa, Gago Apaixonado, Palpite Infeliz e Feitio de Oração, não se pode dizer o mesmo do livro que perfila por completo outro compositor, cujo centenário também se comemora neste ano: João Rubinato, conhecido por todos como Adoniran Barbosa. Por uma falha infeliz, nenhuma escola de samba quis aproveitar como tema o centenário do autor de Saudosa Maloca (leia abaixo), mas, em compensação, acaba de ser relançado Adoniran - Uma Biografia (Ed. Globo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado originalmente em 2004, o livro apresenta o retrato mais fiel de Adoniran já realizado até hoje, justamente por aliar a escrita leve do lado jornalista de Celso de Campos Jr. ao rigor de pesquisa, graças à faceta de historiador do autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário da biografia de Noel, desde que teve a ideia de escrever o livro, em 2001, quando encontrou o acervo de Adoniran literalmente escondido no cofre do Banco do Estado de São Paulo, na Praça Antonio Prado, Campos Jr. sempre contou com total colaboração da herdeira de Adoniran, a filha Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa. "Além da família do Adoniran, tive a ajuda de muita gente. Ele cantou as transformações de São Paulo e sua história precisa ser contada ao público", diz Campos Jr. "Eu tenho um carinho muito especial por todos os trabalhos feitos sobre meu pai, principalmente pela do Celso. Ele é muito meu amigo e virou quase que um sobrinho meu. Desde a primeira vez que ele veio ao Rio para me consultar sobre o livro, eu topei logo de cara pela maneira de ele falar e se dedicar à obra do meu pai", conta Maria Helena, que administra o acervo do pai e aguarda propostas de patrocínio para criar o museu Casa Adoniran Barbosa. &lt;br /&gt;(reportagem publicada no jornal O Estado de S.Paulo em 17 de fevereiro de 2010)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-4463418310894408835?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/4463418310894408835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=4463418310894408835' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/4463418310894408835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/4463418310894408835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2010/02/noel-e-adoniran.html' title='Noel e Adoniran'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-2875510066666479319</id><published>2010-02-05T03:43:00.000-08:00</published><updated>2010-02-05T03:45:39.478-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matérias publicadas - gravadoras'/><title type='text'>Reedições</title><content type='html'>Texto publicado no site do jornal Folha de S.Paulo em 5 de fevereiro de 2010. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 2010, gravadoras deixam de tocar projetos de reedição de acervo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARCUS PRETO&lt;br /&gt;da Folha de S.Paulo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O baú está fechado. É quase insignificante o número de álbuns históricos da música popular brasileira que, ainda inéditos em CD, chegarão legalmente às prateleiras das lojas no formato digital em 2010.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das cinco gravadoras que detêm direitos sobre quase todos os fonogramas produzidos no Brasil no século 20 --Universal, EMI, Sony, Warner e Som Livre--, apenas uma, a Sony, tem projetos que envolvem recuperação do acervo analógico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos outros quatro casos, álbuns ainda perdidos na era do LP continuarão assim --e por tempo indeterminado. O que mais atravanca esses relançamentos, segundo as gravadoras, é a burocracia. Contratos muito antigos e defasados com os envolvidos nos respectivos álbuns fazem projetos se arrastarem por anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a raiz do problema é mais profunda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mercado das reedições chegou ao ápice de produção e vendas entre 2002 e 2003, quando a pirataria já afetava grandes lançamentos (Ivete, Maria Rita, acústicos MTV), mas ainda não atingia o consumidor de catálogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele momento, chegou a se tornar parte importante na receita das gravadoras. Hoje, com a difusão da troca de arquivos MP3 pela internet, seu consumidor se dissipou. E os investimento passou a não interessar mais aos departamentos comerciais das empresas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A conta não fecha mais", diz Alice Soares, gerente de marketing estratégico da Universal --empresa que comanda os acervos da Philips, da Polydor, da Polygram e da Elenco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Com isso, o mais sensato agora é trabalhar para recolocar o catálogo que já está digitalizado --como fizemos recentemente com Jorge Ben Jor e pretendemos fazer neste ano com Tim Maia e Gal Costa."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice conta que, nessa seara, as caixas que reúnem "obras completas" de artistas ainda têm saída relativamente boa. Mas que o mercado não consome títulos avulsos. Exemplo: a Universal lançou recentemente, como experiência, títulos soltos da discografia de Elba Ramalho. O impacto sobre o consumidor foi quase nulo. "Não adianta querer botar um disco antigo na loja sem mote para isso, sem um conceito bem amarrado", afirma Fernanda Brandt, coordenadora de marketing estratégico da Warner -que também detêm direitos sobre os teipes da Continental e da Chantecler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Esses lançamentos não seguem mídia tradicional, não têm single, não têm rádio para tocar. Dependem exclusivamente da mídia impressa. Se lançados "soltos", essa mídia não dá atenção. E eles encalham mesmo", completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo a Sony --que têm os direitos sob os catálogos da BMG e da CBS e, indo contra a corrente, deve lançar neste ano uma série de CDs ainda inéditos no formato-- toca o barco cheia de dúvidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tudo o que era comercialmente oportuno já foi digitalizado no passado", diz Marcus Fabrício, diretor de marketing e vendas da gravadora. "Os [álbuns] que ainda não saíram em CD são para um público bem mais segmentado."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo Fabrício, por questões industriais é preciso produzir pelo menos mil unidades de cada título que vá ser lançado. E não existe mais essa demanda para o produto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos próximos meses, a Sony pretende trazer para o CD álbuns de Amelinha, Elba Ramalho, Dominguinhos, Sandra de Sá, Elza Soares e Walter Franco, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Luiz Garcia, gerente de marketing estratégico da EMI --que possui o catálogo da Odeon--, diz que a empresa deve lançar, em 2010, apenas uma caixa com teipes garimpados em acervo analógico. Trata-se da obra completa da cantora e compositora Dolores Duran. O material, no entanto, já está pronto desde o ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se fôssemos começar neste ano, talvez nem esse saísse", diz. "O negócio é difícil. Fabricamos os mil CDs, mandamos 100 à imprensa, vendemos 200 ou 300. O resto fica parado no meu estoque. E, se não sai em dois anos, tenho que mandar quebrar. Não posso ficar pagando para guardar aquilo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Responsável por séries memoráveis de reedições nos últimos três anos, a Som Livre --dona também do acervo da RGE-- é ainda mais radical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ainda não temos nenhum lançamento de catálogo planejado", diz Leonardo Ganem, presidente da empresa. "É melhor concentrarmos nossos esforços em artistas novos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os do passado esperam por melhores dias. No futuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-2875510066666479319?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/2875510066666479319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=2875510066666479319' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/2875510066666479319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/2875510066666479319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2010/02/reedicoes.html' title='Reedições'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-5208980212308073161</id><published>2009-09-08T12:54:00.001-07:00</published><updated>2009-09-08T12:54:40.088-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matérias publicadas - discos'/><title type='text'>EMI relança clássicos da MPB</title><content type='html'>Folha de S.Paulo&lt;br /&gt;03 de abril de 2007&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;EMI relança clássicos da MPB&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora feita com encartes paupérrimos, coleção Clássicos Odeon vale pela recuperação dos álbuns&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lançamento traz gravações de Sylvia Telles e Marcos Valle. Dos dez álbuns, seis nunca haviam saído em CD no Brasil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LUIZ FERNANDO VIANNA&lt;br /&gt;DA SUCURSAL DO RIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com encartes paupérrimos e o descuido que marca os relançamentos da EMI, estão nas lojas dez títulos da série Clássicos Odeon. Do lote, quatro nunca tinham saído em CD e os dois de Marcos Valle só eram encontráveis no exterior ou, para importar, na internet.&lt;br /&gt;É claro que não há nenhuma curadoria que explique o porquê de serem esses dez e não tantos outros do acervo Odeon que permanecem nos arquivos da EMI, mas o negócio é aproveitar antes que saiam de catálogo. O melhor relançamento, por exemplo, já tivera uma versão digital, mas estava sumido.&lt;br /&gt;Em 1959, Sylvia Telles dedicou todo o disco "Amor de Gente Moça" à obra ainda nova de Antonio Carlos Jobim. E teve a coragem de fazê-lo um ano depois de Elizeth Cardoso gravar "Canção do Amor Demais", só com Tom e Vinicius de Moraes.&lt;br /&gt;Com orquestrações do maestro Gaya, o disco é impecável, reunindo alguns sambas que se tornariam clássicos da bossa nova, como "Fotografia" e "A Felicidade", a fossa "Demais" e a villa-lobiana "Canta, Canta Mais", que nunca mereceu o devido reconhecimento.&lt;br /&gt;Poucas cantaram Tom Jobim como Sylvinha, e sua morte precoce, aos 35 anos, foi uma grande violência contra a música brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tradição carioca&lt;br /&gt;Outra intérprete marcante da bossa nova, Leny Andrade, que sempre foi múltipla, aparece aqui em outras versões. No seu segundo disco ao vivo com Pery Ribeiro, "Gemini Cinco Anos Depois" (1972), ela e ele cantam Milton Nascimento, Caetano Veloso, Villa-Lobos, Michel Legrand, e ainda fazem uns jograis de gosto duvidoso. O primeiro encontro tinha sido melhor.&lt;br /&gt;E também é melhor "Leny Andrade" (1975), em que ela praticamente só canta sambas da tradição carioca, incluindo dois belos de Wilson Moreira. Mas há espaço para sambas baianos e um clássico samba-canção: "Folha Morta" (Ary Barroso).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segunda fornada&lt;br /&gt;Dos dois discos relançados de Marcos Valle, o primeiro, "O Compositor e o Cantor" (1965), é bossa nova, tendo à frente "Samba de Verão", que estourara nos EUA no ano anterior, e o macambúzio "Preciso Aprender a Ser Só". Já o segundo, "Viola Enluarada" (1967), tem um acento mais social, com a marca da época.&lt;br /&gt;Embora esta segunda faceta não seja a melhor de Valle, sua riqueza como músico e compositor torna as criações mais longevas do que as de Geraldo Vandré, cujo "Canto Geral" (1968) -que já saíra em CD- envelheceu nessas quatro décadas. Depois desse disco e do "sucesso" de "Caminhando (Pra Não Dizer que Não Falei de Flores)", Vandré foi preso, exilado e não reengrenou sua carreira.&lt;br /&gt;Outros dois discos que já tinham aparecido em CD e merecem a segunda fornada são: "Sueli Costa", em que a grande compositora (e não tanto cantora) mostra algumas de suas belas músicas, como "Dentro de Mim Mora um Anjo" e "Coração Ateu", que tocavam em novelas globais de então; e "Paulistana", homenagem a São Paulo do paraense e co-autor da "Sinfonia do Rio de Janeiro" Billy Blanco, com participações de Elza Soares, Miltinho e outros, e na qual está o "Tema de São Paulo" ("São Paulo que amanhece trabalhando/ São Paulo que não sabe adormecer").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OS DISCOS DA SÉRIE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Amor de Gente Moça" (1959) - Sylvia Telles mostra por que foi uma das maiores intérpretes de Tom Jobim. Ótimo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O Compositor e o Cantor" (1965) - O segundo disco de Marcos Valle traz "Samba de Verão". Ótimo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Viola Enluarada" (1967) - Marcos Valle exibe a classe de seus sambas. Ótimo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Canto Geral" (1968) - É o auge da militância musical-política de Geraldo Vandré. Bom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quero Voltar pra Bahia" (1970) - O passar do tempo fez mal ao soul de Paulo Diniz. Ruim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Jesus Cristo" (1971) - Embora boa cantora, Cláudia abusa aqui da grandiloqüência. Ruim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Gemini Cinco Anos Depois" (1972) - Este encontro de Leny Andrade e Pery Ribeiro tem bons momentos. Bom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Paulistana - Retrato de uma Cidade" (1974) - Homenagem de Billy Blanco. Bom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sueli Costa" (1975) - O primeiro disco da compositora traz "Coração Ateu". Bom&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Leny Andrade" (1975) - Peça rara na discografia da cantora. Ótimo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-5208980212308073161?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/5208980212308073161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=5208980212308073161' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/5208980212308073161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/5208980212308073161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/09/emi-relanca-classicos-da-mpb.html' title='EMI relança clássicos da MPB'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-6020461682972756819</id><published>2009-09-08T12:52:00.001-07:00</published><updated>2009-09-08T12:52:49.794-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matérias publicadas - Acervos Pessoais'/><title type='text'>Pai do governador Sergio Cabral faz 70 anos e doa sua obra para o MIS</title><content type='html'>Agência JB&lt;br /&gt;28 de maio de 2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pai do governador Sergio Cabral faz 70 anos e doa sua obra para o MIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jornalista Sergio Cabral, pai do governado Sergio Cabral, faz 70 anos hoje e resolveu dar um presente ao Rio de Janeiro: doará todo o seu acervo ao Museu da Imagem e do Som (MIS), instituição vinculada à Secretaria de Cultura. Cabral é um dos colaboradores mais antigos do museu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ato de doação será amanhã, terça-feira, 29 de maio, na Sala Cecília Meirelles (Largo da Lapa nº 47), às 19h, em um evento para convidados. Na ocasião, haverá apresentação do grupo Chorando Baixinho, da Escola Estadual de Música Villa-Lobos, sob a regência do maestro Genivaldo Soares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acervo de Sergio Cabral é raro e especial: milhares de discos em acetato e ainda LPs e CDs (em sua maioria de música popular brasileira), centenas de textos, como colunas, ensaios e artigos publicados ao longo de seus 50 anos de jornalismo em vários veículos, com destaque para “O Pasquim”, do qual foi fundador, além de diversas fotografias de artistas, cantores, compositores e músicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sérgio Cabral é um dos maiores especialistas em música popular brasileira, pesquisador cuidadoso e fiel aos fatos. Várias biografias foram escritas por ele como a de Elizeth Cardoso, Ary Barroso, Nara Leão, Almirante e Tom Jobim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A doação de Sérgio Cabral ao MIS é uma inestimável contribuição à memória da música brasileira. O público poderá conhecer em breve este maravilhoso acervo que será preservado não só com carinho especial por todos nós do museu como também com as mais modernas técnicas de organização, afirma a presidente do MIS, Rosa Maria Araujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As informações são da Secretaria de Comunicação do governo do estado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-6020461682972756819?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/6020461682972756819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=6020461682972756819' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/6020461682972756819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/6020461682972756819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/09/pai-do-governador-sergio-cabral-faz-70.html' title='Pai do governador Sergio Cabral faz 70 anos e doa sua obra para o MIS'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-8611988794033912299</id><published>2009-09-08T12:47:00.000-07:00</published><updated>2009-09-08T12:49:13.645-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matérias publicadas - Entrevista'/><title type='text'>"O entrevistador é um ruído", diz Faro</title><content type='html'>Folha de S.Paulo &lt;br /&gt;20 de junho de 2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O entrevistador é um ruído", diz Faro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentador do "Ensaio" completa 80 anos amanhã e ganha especial na Cultura, com participação de Paulinho da Viola&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornalista relembra fatos importantes de sua carreira, como sua relação com Chico Buarque e Elis Regina e problemas com a censura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;THIAGO NEY&lt;br /&gt;DA REPORTAGEM LOCAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RONALDO EVANGELISTA&lt;br /&gt;COLABORAÇÃO PARA A FOLHA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O programa "Ensaio", iniciado em 1969 na Tupi e hoje exibido nas noites de quinta-feira na Cultura, tornou-se um marco tanto da televisão quanto da música brasileira. De Elis Regina a Tim Maia, de Chico Buarque a Racionais MC's, praticamente todos os mais conhecidos rostos da MPB foram focalizados em close pelas câmeras do programa, em entrevistas em que não se ouve as perguntas do entrevistador, apenas as respostas do entrevistado.&lt;br /&gt;O entrevistador é Fernando Faro, mas pode chamá-lo também de jornalista (trabalhou nos extintos "Última Hora" e "A Noite"), apresentador, radialista (foi ele quem levou os primeiros textos teatrais ao rádio brasileiro, nos anos 50), produtor de shows (fez o último de Elis, além de um em Angola com Chico Buarque e Dorival Caymmi, em 1980), produtor de discos (de Eduardo Gudin e Cristina Buarque)... Amanhã, Faro completa 80 anos e ganha um especial da Cultura. A seguir, o apresentador fala à Folha. Como no "Ensaio", leia só as respostas do entrevistado.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;FERNANDO FARO - Li uma vez, acho que foi Marshall McLuhan [teórico dos meios de comunicação], que a gente tem que ter cuidado com a informação e com o ruído da informação. O apresentador é um ruído enorme, um barulho enorme numa entrevista. Resolvi fazer isso depois de uma entrevista, em 1959, com um bandido chamado Jorginho. Eu estava no telejornal da TV Paulista quando o Jorginho foi preso. Fui na delegacia entrevistá-lo. Disseram: "Você não pode entrar na cela". Dei o microfone para o Jorginho e fiquei do lado de fora, com o gravador. E comecei a perguntar várias coisas. Peguei o material, que tinha apenas as respostas dele, e editei. Gostei daquilo. E comecei a fazer tudo com esse formato, só com o entrevistado falando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FARO - A idéia dos closes também veio do McLuhan. Ele dizia que uma [tomada] geral de televisão é só uma imagem. Você não vê nada. Você comprova isso em um jogo de futebol: você não sabe como é a cara dos jogadores. Aí eu disse: "A solução é o close e o meio-close". Eu lembrava também que Picasso usava close e meio-close.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FARO - Gravei programa com o Vinicius de Moraes, o Martinho da Vila, que foi um escândalo. Tinha acabado de fazer com o Vinicius. Quando disse que ia fazer programa com o Martinho, os caras começaram a virar a cara. Mas o programa do Martinho deu uma barbaridade de audiência. O do Vinicius tinha dado 45, 48 pontos. O do Martinho deu uns 60. Naquele tempo [meados dos anos 70], colocava-se muito acadêmico na TV. Eu coloquei gente da rua. Depois que deu audiência, todo mundo se acalmou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FARO - Fiz os festivais da Tupi, pois fui o diretor musical da TV de 1968 a 1972. Uma vez chegou alguém e disse: "O general mandou te chamar". O general era o encarregado da censura. Num programa, o "Móbile", eu coloquei uma água-viva, sem texto, sem nada, e uma mão jogando sal, que dissolvia a água-viva. Disse: "General, não tinha texto, não tinha música". E ele: "É, mas a gente te conhece. Você estava querendo dizer que a água-viva é o povo, e o sal é o governo que esmaga as pessoas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FARO - Sempre me preocupei com o tamanho deste país. Sou de Sergipe. Tinha coisas lá que o país todo tinha de saber. A TV pública deve cobrir as manifestações [culturais] que acontecem no país. São regiões heterogêneas, multiculturais, cada uma tem coisas para mostrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FARO - Uma vez eu cheguei pro Briamonte, que foi o primeiro maestro do Eduardo Gudin, para fazer um arranjo. Disse: "Bria, é o seguinte: você está deitado, dormindo, aí acorda e uma escola de samba vem passando. Ela vem descendo, passa e vai embora". Ele me disse: "Nunca vi ninguém fazer arranjo com uma imagem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FARO - O Chico Buarque era muito tímido. Ele não olhava para a câmera. Diziam que ele tinha olhos bonitos, então botei a câmera no chão. O Chico não falava. O Milton era igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FARO - Tem duas pessoas que eu queria levar ao programa e não levei. Uma é a Hebe Camargo. Um tempo atrás estive com ela e disse: "E o programa?". "Não vai dar para fazer, eu estou velha, não vou agüentar aqueles closes." Eu disse que fazia do jeito que ela quisesse, não precisava dos closes.&lt;br /&gt;A segunda é a Rita Lee. Não levei porque não falei com ela, quero falar. No tempo em que eu fiz o programa "Divino Maravilhoso", uma vez nós fomos para o Rio com os Mutantes. E aí ficamos amigos. Mas de lá para cá nunca mais falei com ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FARO - A Elis viveu em minha casa um tempo. Ela sempre foi assim, estava conversando com você e de repente ficava vesga se não gostava de algo. Uma vez foi um cara lá em casa me vender um carro. Ela ficou olhando e começou a ficar vesga. Aí eu cheguei e falei pro cara: "A gente conversa outra hora". Cheguei pra Elis e perguntei o que houve. Ela: "Pô, você não viu a aura desse cara, ele não presta".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-8611988794033912299?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/8611988794033912299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=8611988794033912299' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/8611988794033912299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/8611988794033912299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/09/o-entrevistador-e-um-ruido-diz-faro.html' title='&quot;O entrevistador é um ruído&quot;, diz Faro'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-2051974836466558846</id><published>2009-09-08T12:38:00.000-07:00</published><updated>2009-09-08T12:39:36.065-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matérias publicadas - discos'/><title type='text'>Três grandes obras de Paulo Moura</title><content type='html'>Agência Estado&lt;br /&gt;31/10/2007 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três grandes obras de Paulo Moura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Livia Deodato&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três álbuns especialíssimos do clarinetista e saxofonista Paulo Moura, que há algum tempo se encontravam fora de catálogo, estão sendo relançados. Trata-se de "Hepteto", de 1968, "Quarteto", de 1969, e "Fibra", de 1971, certamente as obras mais significativas do início da carreira do músico de 75 anos. Eles integram a Coleção Galeria, da gravadora Atração, que pretende oferecer ao público CDs em forma de obra de arte. As capas dos novos álbuns trazem os desenhos originais emoldurados, como se fizessem parte de uma exposição artística. Enquanto cada contracapa estampa parte de uma gravura de Gilvan Samico. Após o lançamento dos três álbuns de Paulo Moura, seis compilações de Eumir Deodato também serão lançadas - os nove títulos formarão, com todas as contracapas juntas, a obra completa de Samico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É sempre bom ser lembrado. Fiquei muito feliz com esse projeto" diz Moura. Dos três álbuns, confessa ter um carinho especial por "Hepteto". "Tem cinco músicas de Milton Nascimento, um dos compositores que mais admiro, que àquela época estava no início de sua carreira. A minha preferida é 'Das Tardes Mais Sós'."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em "Fibra e Quarteto", Milton Nascimento também marca forte presença. Dele, Paulo Moura gravou, no primeiro, "Tema dos Deuses", "Vera Cruz" e "Cravo e Canela", e no segundo, "Terra." Temas clássicos brasileiros, como "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, e "Lamento do Morro", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes que também aparecem respectivamente em cada álbum. "Engraçado é que encontrei com Milton poucas vezes, sempre mediado por Wagner Tiso", relembra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-2051974836466558846?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/2051974836466558846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=2051974836466558846' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/2051974836466558846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/2051974836466558846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/09/tres-grandes-obras-de-paulo-moura.html' title='Três grandes obras de Paulo Moura'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-1049412448880239984</id><published>2009-09-08T12:35:00.000-07:00</published><updated>2009-09-08T12:36:14.532-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matérias publicadas - Livros'/><title type='text'>A história da MPB em 300 discos</title><content type='html'>O Estado de S.Paulo (Agência Estado)&lt;br /&gt;28 de Outubro de 2008&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da MPB em 300 discos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O titã Charles Gavin coordena projeto que coloca em discussão gravações importantes de 1929 a 2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lauro Lisboa Garcia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Organizar um acervo de 300 discos importantes da gigantesca produção de música popular no Brasil em quase oito décadas não é tarefa das mais fáceis. Mesmo para o músico, pesquisador e produtor Charles Gavin, que, além de ser baterista dos Titãs, tem feito há cerca de dez anos um precioso trabalho de recuperação de álbuns antológicos, abandonados nos acervos das gravadoras. Vários desses títulos que ele trouxe de volta à cena - como as maravilhas do selo Elenco - estão no livro 300 Discos Importantes da Música Brasileira (Editora Paz e Terra, 434 pgs., R$ 230). Acompanham o volume - em forma de LP e luxuosamente ilustrado com todas as capas dos discos - os CDs O Último Malandro, de Moreira da Silva, e Elza Soares/Baterista Wilson das Neves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gavin realizou o projeto em parceria com os jornalistas Tárik de Souza, Carlos Calado e Arthur Dapieve, que assinam os textos sobre os discos selecionados. Os quatro participam de um debate sobre recuperação e preservação da memória musical brasileira no lançamento do livro quinta-feira na Livraria Cultura (Av. Paulista, 2.073, 3170- 4033).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seleção privilegia álbuns originais, mas há compilações e caixas de artistas da era pré-LP, como Luiz Gonzaga, Jacob do Bandolim, Silvio Caldas, Orlando Silva, Noel Rosa, Carmen Miranda. "No caso de Luiz Gonzaga, por exemplo, as gravações mais representativas de sua obra foram feitas quando não existia o conceito de álbum", diz Gavin. O produtor, que também assinou o vistoso projeto de livro com capas dos LPs de bossa nova, editado em 2005, vem desde então trabalhando na realização deste que pretende ser "um painel da música brasileira desde que começou a ser gravada". "Achei que 300 era um número razoável para montar esse painel", diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Títulos evidentes, indispensáveis em qualquer discoteca básica - como Tropicália, Clube da Esquina, Acabou Chorare (Novos Baianos), Chega de Saudade (João Gilberto), Os Afro-Sambas (Baden Powell e Vinicius de Moraes - estão lá. Mas o leitor também toma contato com raridades como Samba da Bahia (reunindo Riachão, Batatinha e Panela), Vida Noturna nº 1 (Caco Velho , seu conjunto e Hervê Cordovil). Mas muitos foram "sacrificados", como diz Gavin, entre eles O Grande Circo Místico, de Edu Lobo e Chico Buarque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente outras preciosidades ficaram de fora, por isso mesmo Gavin evitou a expressão "os mais importantes", mas apenas importantes. "Apontamos discos que a gente acha essenciais, que as pessoas têm de conhecer", diz Gavin. Até porque é difícil escolher, por exemplo, dois ou três dentre os fabulosos álbuns de Gal Costa, Gilberto Gil, Chico Buarque e Jorge Ben dos anos 1970, a década com maior número de títulos no livro: 104.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É contestável, por exemplo a presença de O Concreto Já Rachou (Plebe Rude), Brasileira ao Vivo (Margareth Menezes) e o Ney Matogrosso de 1981. Por que Adriana Partimpim e não Saltimbancos ou Palavra Cantada? Por que a música eletrônica ficou de fora? "O de Max de Castro de certa maneira representa a música eletrônica", diz Gavin, que admite que São Paulo Confessions, de Suba, merecia ter entrado como representante dessa categoria. Tudo de bom que não entrou daria mais do que um segundo volume, o que é possível de acontecer. O que importa agora, como diz Gavin, é ter aberto a discussão e ver aonde isso vai dar. Este já foi um primeiro grande passo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-1049412448880239984?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/1049412448880239984/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=1049412448880239984' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/1049412448880239984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/1049412448880239984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/09/historia-da-mpb-em-300-discos.html' title='A história da MPB em 300 discos'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-712337145040075714</id><published>2009-09-08T12:28:00.001-07:00</published><updated>2009-09-08T12:28:27.427-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matérias publicadas - discos'/><title type='text'>O retorno dos bolachões</title><content type='html'>O Estado de S.Paulo – online&lt;br /&gt;28 de Janeiro de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O retorno dos bolachões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta vez não é só saudosismo: o interesse por discos de vinil cresce entre novos consumidores, gravadoras investem em lançamentos e fábrica reabre no Rio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lauro Lisboa Garcia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O CD está pela hora da morte, há tempos já se diz. Para quem gosta de música, porém, há boas novas no horizonte. Os velhos e amados discos de vinil, que fazem a alegria de colecionadores e roqueiros, estão de novo em alta no mercado. Mas desta vez o movimento não se restringe aos sebos, que têm se mantido em pé graças aos bolachões, e as novidades não vêm só dos Estados Unidos, onde as vendas subiram em 2008 (leia abaixo). Além dos lançamentos importados - disponíveis até em duas redes de livrarias, a Cultura e a Saraiva -, "um sonho realizável" está para se concretizar. A última fábrica de vinil no Brasil, a Polysom, que fechou as portas em outubro de 2008, vai reabrir sob nova administração. Quem assume as rédeas desta vez é o empresário João Augusto, presidente da gravadora independente Deckdisc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro sinal de interesse nesse nicho parte da major Sony/BMG, que vai relançar, a partir de fevereiro, em CD e LP, 30 títulos de artistas de seu acervo, como Da Lama ao Caos (Chico Science &amp; Nação Zumbi) e os homônimos álbuns de estreia de João Bosco e Vinícius Cantuária, para citar três do primeiro lote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A Polysom fechou por problemas de administração e é só essa questão que falta resolver. Nós nos interessamos pela fábrica e decidimos adquiri-la e colocar logo em funcionamento. Queremos já soltar os primeiros discos em abril", diz o experiente João Augusto, que já atuou na antiga Polygram, na EMI e na Abril Music. "Temos a colaboração dos antigos donos, que também trabalhariam com a gente, há uma grande corrente favorável." O projeto não é só dele, estão envolvidos outros profissionais com quem trabalha na Deckdisc. Um deles é o produtor Rafael Ramos, seu filho e um grande entusiasta do vinil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ideia básica, segundo João, é atender a indústria, não só do Brasil, mas de toda a América Latina, já que deve ser a única no continente. "Isso atinge potencialmente Argentina, Chile e Colômbia, mas basicamente o Brasil, para atender selos como Monstro, Baratos Afins e todo mundo dessa área. Por outro lado, tem as majors, que sempre encontram problemas quando seus artistas querem lançar LP, porque o processo de importação é muito lento. Temos o exemplo de Cê, de Caetano Veloso, que saiu muito depois do CD e foi até um êxito de vendas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na Europa e nos Estados Unidos é cada vez mais comum o lançamento do CD de artistas em evidência hoje também ter uma produção paralela em LP - caso de Amy Winehouse, Portishead, Beck e o citado Radiohead. Por aqui, o último a investir nos dois formatos foi Lenine, com Labiata, em 2008. O próximo será o Skank. A versão em LP do álbum mais recente da banda, Estandarte, sai entre março e abril pela Sony/BMG. O problema é que, como os discos são fabricados nos Estados Unidos, o bolachão chega ao consumidor brasileiro com valor de importado: em torno de R$ 120.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os relançamentos da série Primeiro Disco, da Sony/BMG, confeccionados nos EUA, custarão em torno de R$ 150, reunindo com o CD, o LP e um encarte especial, com fotos e material de pesquisa, numa edição conjunta. Serão mil unidades por título. "Não acredito em volumes expressivos de vendas, mas existe um movimento em torno disso", diz Marcus Fabrício, gerente de marketing da gravadora. "É um teste, mas a gente pode ter uma surpresa, uma demanda que valha a pena produzir discos no Brasil, podendo baixar o custo de manufatura e o preço para o consumidor. Aí pode valer a pena esporadicamente investir em lançamentos simultâneos com o CD, como acontece lá fora."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Augusto também não pensa em ter lucro, mas que pelo menos empate o investimento. "A intenção onírica é muito maior do que a econômica", diz. Como diante da falência do mercado massivo o de nicho ganha importância, a intenção do chefão da Deckdisc é também investir em acervo. "Vamos criar um label próprio para relançar coisas antigas. As majors não se interessam em fazer produtos para vender 500 cópias. A gente vai se interessar." A Universal, por exemplo, já cogitou disponibilizar todo seu fabuloso catálogo para ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No cargo de comprador de música da Livraria Cultura, em São Paulo, Rodrigo de Castro é outro entusiasta da causa e incentivador da reabertura da fábrica de vinil. "A gente abriria espaço na loja para reedições de álbuns antigos, se tivessem algo especial. Mas não dá para apostar numa Mart'nália, por exemplo", compara. "Um álbum como Labiata, do Lenine, é conceitual, bacana, mas não tem venda expressiva. Hoje, um lançamento em vinil tem de ter alguma faixa exclusiva, sair em edições limitadas." E precisa ser bom, certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde 2006 a Cultura, em São Paulo, vem investindo gradativamente na comercialização de LPs. Começou com títulos de Itamar Assumpção, Mutantes e Fellini, da Baratos Afins, e hoje investe mais nos importados. Os preços variam de R$ 99 a R$ 109. Para o vinil se popularizar, outro passo importante é a indústria nacional voltar a fabricar os toca-discos. Os aparelhos importados, como os discos, continuam caros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-712337145040075714?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/712337145040075714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=712337145040075714' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/712337145040075714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/712337145040075714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/09/o-retorno-dos-bolachoes.html' title='O retorno dos bolachões'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-1775623984195771813</id><published>2009-09-08T12:20:00.000-07:00</published><updated>2009-09-08T12:21:15.144-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matérias publicadas - discos'/><title type='text'>Discos raros pela primeira vez em CD</title><content type='html'>O Estado de S.Paulo - on line&lt;br /&gt;12 de Fevereiro de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discos raros pela primeira vez em CD&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pacote tem álbuns antológicos de Beth Carvalho, Elizeth Cardoso e Alaíde Costa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lauro Lisboa Garcia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As grandes gravadoras deram uma brecada na recuperação de acervos, mas de vez em quando os colecionadores ainda são brindados com bons lotes, como o que a EMI distribui nas lojas na próxima semana. São dez títulos inéditos em CD de seu catálogo, incluindo LPs da Odeon e da Copacabana, de Beth Carvalho, Elizeth Cardoso, Rosinha de Valença, Alaíde Costa, João Nogueira, Taiguara, Paulo Sérgio, Cauby Peixoto, Ângela Maria e Dalva de Oliveira. Faltam fichas técnicas nos encartes, mas o som dos CDs tem ótima qualidade técnica. O projeto é do pesquisador e produtor Thiago Marques Luiz, que escreveu breves textos nas contracapas dos CDs, comentados a seguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANDANÇA (1969)&lt;br /&gt;Raro e ótimo álbum de estreia de Beth Carvalho, cuja faixa-título - composta por Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós -, em que divide os vocais com os Golden Boys, foi classificada no Festival Internacional da Canção de 1968. Boa de samba ela sempre foi, mas neste álbum Beth revela os dotes de grande intérprete também de outros estilos, com arranjos dos maestros Gaya e Lyrio Panicali. Sua versão para a densa Sentinela (Milton Nascimento/Fernando Brant) é talvez a mais surpreendente nesse aspecto. O grupo Som Três divide com ela os vocais em outras faixas, como as antigas Estrela do Mar (Marino Pinto/Paulo Soledade) e Nunca (Lupicínio Rodrigues). Outros temas daquele ambiente de festival despontam em canções de Marcos e Paulo Sérgio Valle e mais duas de Paulinho Tapajós com parceiros. Cheia de bossa, ela canta duas pérolas de Baden Powell: Samba do Perdão (parceria com Paulo César Pinheiro) e a esquecida Um Amor em Cada Coração, com letra de Vinicius de Moraes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÂNGELA DE TODOS OS TEMAS (1970)&lt;br /&gt;Quase simultaneamente a Cauby Peixoto em Superstar (leia abaixo), Ângela Maria mudou de rumos, ao requisitar a sofisticação de compositores contemporâneos como Caetano Veloso, Chico Buarque e Vinicius de Moraes (de quem imortalizou Gente Humilde, parceria com Garoto). Em grande forma vocal, ela se divide entre expoentes da segunda dentição da bossa nova (Marcos e Paulo Sérgio Valle, Edu Lobo) e a jovem-guardista Martinha. O título do disco é oportuno para justificar o ecletismo do repertório, que ainda tem clássicos de Noel Rosa e Dorival Caymmi, valsa, marcha-rancho, samba, tango, pop americano e balada de fonte erudita. Tudo misturado e com arranjos sem unidade, mas não necessariamente ruins, de Portinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CHEIRO DE MATO (1976)&lt;br /&gt;Sofisticada violonista e compositora sensível, Rosinha de Valença (1941-2004) alternou com maestria temas instrumentais e canções delicadas e autorais, como Os Grilos São Astros, Usina de Prata e Madrinha Lua, predominantes na primeira metade deste lindo disco de acento naturalista. Na segunda parte ela se dedica mais a composições alheias, e não menos belas, de Waldir Azevedo e Sueli Costa, entre outros. É lamentável a ausência da ficha técnica no encarte. Sem receber crédito no CD, Miúcha dividiu com ela os vocais em Cabocla Jurema, Francis Hime assinou arranjos e tocou flauta. Entre outros, também participaram do disco Sueli Costa, Sivuca, João Donato e Celia Vaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CORAÇÃO (1976)&lt;br /&gt;Foi Milton Nascimento quem tirou Alaíde Costa de um ostracismo de sete anos ao convidá-la para um dueto antológico em Me Deixa em Paz (Monsueto/Airton Amorim), no álbum Clube da Esquina, de 1972. Quatro anos depois, Milton se empenhou em produzir este que é um dos melhores discos da cantora. A requintada sessão musical conta com instrumentistas de primeira linha, como Novelli, Nelson Ângelo, Toninho Horta, Robertinho Silva (todos agregados do Clube da Esquina), além de João Donato (que fez as orquestrações) e Ivan Lins. Alaíde está em casa, cantando belamente preciosidades de Milton, Johnny Alf, Danilo Caymmi e Ana Terra, Sueli Costa e de alguns dos músicos citados acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DALVA (1958)&lt;br /&gt;Disco mais antigo (e também o menos interessante) do pacote, este de Dalva de Oliveira (1917-1972) tem canções exclusivas de Humberto Teixeira, Lupicínio Rodrigues, Hervé Cordovil e Ciro Monteiro, entre outros. Léo Peracchi e Oswaldo Borba assinam os bons arranjos, mas a interpretação exacerbada de Dalva com forte conotação kitsch, excedendo nos vibratos, não cai bem em qualquer ouvido, principalmente hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FOTOGRAFIA (1973)&lt;br /&gt;Anterior à sua obra-prima Imyra, Tayra, Ipy (1976), no qual se uniu a Hermeto Pascoal, Fotografias é um marco importante da fase experimental de Taiguara (1945-1996) e o penúltimo da década em que gozou de maior popularidade. Com letras entre engajadas e amorosas, melodias intrincadas, canto contundente e arranjos sofisticados de Francis Hime e Eduardo Souto Neto, o disco abre com um de seus futuros clássicos, Que as Crianças Cantem Livres. Tibério Gaspar, Paulo Moura e Nivaldo Ornellas estão entre os músicos que o acompanharam em 13 canções autorais, como a comovente Romina e Juliano (erroneamente identificada como "Romaina" no CD), o choro saudosista Cartinha pro Leblon e Não Tem Solução (Dorival Caymmi/Carlos Guinle).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JOÃO NOGUEIRA (1972)&lt;br /&gt;No disco homônimo de estreia, João Nogueira (1941-2000) assina sozinho 7 das 12 faixas, entre elas, Das 200 Para Lá, gravada antes por Eliana Pittman, e o belo samba-choro Mariana da Gente. Nas demais, destacam-se o samba clássico Heróis da Liberdade (Silas de Oliveira/Mano Décio da Viola/Manoel Ferreira), pérolas de Casquinha e Wilson Baptista e um surpreendente Egberto Gismonti (Pr?Um Samba). Ainda imaturo, Nogueira já revelava bom gosto na escolha do repertório e o potencial da voz, que se tornaria uma das maiores do samba de seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ME AJUDE A MORRER (1980)&lt;br /&gt;Penúltimo álbum de Paulo Sérgio (1944-1980), este disco tem uma aura mórbida, já que ele de fato morreu pouco tempo depois, de derrame cerebral, aos 36 anos. Emulando o estilo do ídolo Roberto Carlos, Paulo canta várias baladas que lembram os anos da já então distante jovem guarda. Apesar do título deprê, o disco também tem canções divertidas, como o rockinho Lagartinha (Rossini Pinto/Paulo Bruno), o charleston Eu Não Sou o Que Você Está Pensando e o samba-pop Minha Madrinha, ambas de Paulo com parceiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MOMENTO DE AMOR (1968)&lt;br /&gt;Na contracapa deste LP, um dos imprescindíveis da vasta discografia de Elizeth Cardoso (1920-1990), Sérgio Porto escreveu que ela não mereceu impunemente o título de Primeira-Dama da Canção Brasileira. Depois de bons anos seguidos mais dedicada a dar voz à nova geração do samba, como lembra Porto, a Divina voltou "mais enluarada do que nunca". A derramar poesia em cada faixa - não por acaso o disco abre e fecha com Vinicius de Morais e Tom Jobim (Derradeira Primavera e Insensatez) -, Elizeth canta o então novato Chico Buarque (Lua Cheia e Carolina), Sílvio César, Geraldo Vandré, Edu Lobo e Torquato Neto, Eumir Deodato e Paulo Sérgio Valle. Arranjos de Ciro Pereira e Luiz Chaves (do Zimbo Trio) emolduram de luxo interpretações de cortar os pulsos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SUPERSTAR (1972)&lt;br /&gt;Em seu único disco na Odeon, Cauby deu uma mexida no repertório tido como "cafona", interpretando canções de autores mais sofisticados. Não que tenha deixado o romantismo de lado. Aqui ele empresta o vozeirão a Chico Buarque, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Com a mesma dedicação arrebatada, entrega-se a Roberto Carlos e Erasmo Carlos, aos clássicos da velha guarda Chão de Estrelas (Silvio Caldas/Orestes Barbosa) e Mulher (Custódio Mesquita/Sady Cabral) e outros menos cotados. Careta ou moderno, em tudo transborda o amor por arranjos um tanto modernosos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-1775623984195771813?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/1775623984195771813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=1775623984195771813' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/1775623984195771813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/1775623984195771813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/09/discos-raros-pela-primeira-vez-em-cd.html' title='Discos raros pela primeira vez em CD'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-4271817538302104436</id><published>2009-09-08T12:14:00.000-07:00</published><updated>2009-09-08T12:17:56.819-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Matérias publicadas - Livros'/><title type='text'>Música, birita e língua solta</title><content type='html'>Jornal O Estado de S.Paulo&lt;br /&gt;02 de Fevereiro de 2009&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Música, birita e língua solta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez entrevistas antológicas feitas entre 1969 e 1975 pelo jornal O Pasquim ganham nova edição em livro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lauro Lisboa Garcia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Tom Jobim, pior do que ser concorrente de um festival era participar como jurado. Só por isso ele inscreveu a nada popular Sabiá (parceria com Chico Buarque) no 3º FIC (Festival Internacional da Canção), em 1968, do qual saiu campeão sob uma chuva de vaias. Chico, por sua vez, disse que a peça Roda Viva, como texto, "não era nada", só ganhou força na encenação. Moreira da Silva admite que comprou seu maior sucesso, Na Subida do Morro, de Geraldo Pereira. Falastrões e machistas como Waldick Soriano e Agnaldo Timóteo desciam o malho nos expoentes da "elite" musical, especialmente Caetano Veloso. Este se declarava um músico inferior. Lupicínio Rodrigues e Martinho da Vila nem encaravam a música como atividade profissional de futuro.&lt;br /&gt;Numa roda de jornalistas bem-humorados e provocadores, com boas doses de uísque, chope ou caipirinha e em clima de absoluta descontração, uma infinidade de gente soltou a língua para o jornal O Pasquim, rendendo pérolas reveladoras como as citadas acima. Dez dessas entrevistas com personalidades da música estão reunidas no livro O Som do Pasquim (Editora Desiderata, 277 págs., R$ 39,90), que foi editado pela primeira vez em 1976 e dedicado a Lupicínio.&lt;br /&gt;O responsável pelas duas edições é o jornalista Tárik de Souza, ex-integrante da equipe do jornal que se distinguia pelo estilo polêmico e irreverente e vendia 250 mil exemplares por semana. O novo livro tem as mesmas fotos e ilustrações de Nássara (leia abaixo), melhor revisão de textos, mas três entrevistas a menos: Roberto Carlos, Maria Bethânia e Ângela Maria, que não autorizaram a republicação. Além dos citados no início deste texto, permanecem nesta edição Luiz Gonzaga e Raul Seixas.&lt;br /&gt;Pode ser que, como Agnaldo Timóteo, os ausentes tenham se arrependido de algo que disseram. Roberto confessou que chegou a traçar uma(s) fã(s) e revelou quanto pagou de imposto de renda em 1970. Imagine se isso seria possível hoje. No novo prefácio do livro, Tárik lembra que nos anos 70 não havia "as implacáveis barreiras entre os artistas e jornalistas, erguidas por marqueteiros, assessores de imprensa e incontáveis “aspones". Daí que o contato era direto e todo mundo de abria para o Pasquim, ainda mais depois de uns tragos. "E também não havia o politicamente correto, as pessoas podiam dizer as maiores barbaridades", observa Tárik.&lt;br /&gt;Timóteo liberou sua entrevista, mas pediu para ser publicado um adendo, em que se desculpa com Caetano Veloso e Maria Alcina e reconhece que a história de Chico Buarque, Milton Nascimento e Tom Jobim "está acima de uma análise ignorante e preconceituosa de décadas atrás", observa o cantor e político.&lt;br /&gt;É curioso reler entrevistas feitas há quase 40 anos, para entender como eram certas coisas no meio musical naquele período. "Tem coisas antecipadoras", diz Tárik. "Moreira da Silva canta uma música em que sonha com a ressurreição da Lapa, que naquela época era ultradecadente. Ninguém imaginava que a Lapa fosse ressurgir." Caetano também fala da "assintonia que havia entre os países desenvolvidos e os subdesenvolvidos em relação à cultura". A imagem do Brasil lá fora era aquela coisa de "macumba pra turista". "Eles só foram descobrir o tropicalismo 30 anos depois."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só dá Caetano&lt;br /&gt;Para o bem e para o mal, um dos temas que mais rendem entre os entrevistados reunidos no livro é Caetano Veloso. Se Tom Jobim deu nota 10 para ele, Lupicínio Rodrigues o elogiou ("é ótimo compositor"), bem como Chico Buarque, sobre sua memória musical, e Luiz Gonzaga o agradeceu em forma de música, sobraram alfinetadas de Waldick Soriano ("como gente é bacana demais, como artista não é"), Moreira da Silva ("é um chato") e Agnaldo Timóteo ("não tem voz e não pode cantar").&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-4271817538302104436?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/4271817538302104436/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=4271817538302104436' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/4271817538302104436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/4271817538302104436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/09/musica-birita-e-lingua-solta.html' title='Música, birita e língua solta'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-6561076066904079887</id><published>2009-06-16T20:00:00.000-07:00</published><updated>2009-09-21T16:08:43.950-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Acervos Pessoais'/><title type='text'>Dorival Caymmi</title><content type='html'>A boa notícia é que o acervo do baiano &lt;a href="http://www.dorivalcaymmi.com.br/"&gt;Dorival Caymmi&lt;/a&gt; está na rede. O projeto de digitalização foi patrocinado pela Natura e feito pelo Instituto Antônio Carlos Jobim, que já fez o mesmo com o acervo do maestro &lt;a href="http://www.jobim.org/"&gt;Tom Jobim&lt;/a&gt;. À primeira vista, o acúmulo de material por Caymmi parece ter sido bem menor do que o de Tom. Segundo a biografia escrita pela neta do compositor, em cerca de 70 anos de carreira ele compôs "apenas" 101 músicas. Porém, feitas em um ano ou um dia, a maior parte delas se tornou clássico, o que prova que quantidade não significa qualidade. &lt;br /&gt;Em breve volto com mais notícias e uma matéria completinha sobre o acervo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-6561076066904079887?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/6561076066904079887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=6561076066904079887' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/6561076066904079887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/6561076066904079887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/06/dorival-caymmi.html' title='Dorival Caymmi'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-4149621875619684353</id><published>2009-06-03T18:56:00.000-07:00</published><updated>2009-06-03T19:15:08.344-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Acervos Pessoais'/><title type='text'>Leon Barg</title><content type='html'>*Esse texto foi escrito em 2002, portanto, os dados e citações correspondem àquele período&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leon Barg é mais do que um apaixonado, é um aficionado por música brasileira. Ele chegou a passar 55 anos em busca de um exemplar do selo Brunswick que traz a interpretação de Carmem Miranda para o choro Se o Samba é Moda. E conseguiu. Num lote de 3 mil discos que comprou, do qual apenas 10 eram inéditos para sua coleção, estava a tão procurada canção. Foi abraçando essa paixão, e desejando compartilhá-la com quem mais quisesse, que Leon criou a Revivendo Músicas, gravadora responsável pela recuperação e preservação de um momento importante da música brasileira: as décadas de 20, 30, 40 e 50.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido em 1930, o pernambucano Leon Barg era representante comercial e foi parar em Curitiba na década de 50. Já era adulto quando começou a comprar muitos discos, assim que as condições financeiras permitiram. Nos anos 70 já tinha cerca de 20 mil títulos em seu acervo, que hoje contabiliza mais de 120 mil entre 78 rotações nacionais, internacionais e LPs. Só os títulos nacionais em 78 rotações somam 64 mil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de criar a Revivendo, Leon ficava próximo da música vendendo instrumentos musicais. Isso mesmo. Ele era o proprietário de uma loja (que existe até hoje e é administrada por seu filho) que comercializava instrumentos e também vendia alguns discos. Foi nesse ambiente, convivendo com músicos profissionais e amadores e com pessoas que se interessavam por música, que ele amadureceu a idéia de criar uma gravadora. Leon percebeu que havia uma procura significativa pela música brasileira mais antiga e que essa demanda não era suprida pela produção da grande indústria fonográfica. Não deu outra: em 1987 ele montou a Revivendo com o intuito de reeditar o seu próprio acervo. "A coleção foi crescendo e, ao invés de deixá-la entre quatro paredes, meu pai resolveu compartilhá-la com as pessoas", conta sua filha Laís Barg, responsável pela parte gráfica dos discos e pela produção, venda e divulgação em São Paulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o primeiro LP lançado pela gravadora, com Francisco Alves e Orlando Silva cantando versões, até hoje, já são mais de 170 títulos no catálogo da empresa. Funcionando com uma estrutura familiar - a base é formada por Leon e suas duas filhas, Laís e Lílian Barg - a Revivendo mantém um moderno estúdio de recuperação de gravações e eliminação de ruídos. É nele que os antigos 78 rotações são manuseados e recuperados para que o som remasterizado fique o mais próximo possível do som original. Embora existam técnicos que trabalham para a Revivendo, quem comanda todo o processo é o próprio Leon. Com um ouvido apuradíssimo, ele é capaz de gastar um ou dois dias na recuperação de uma única faixa, preocupando-se, inclusive, em trabalhar os níveis de volume das faixas, para que o CD fique com um som mais homogêneo. &lt;br /&gt;O zelo de Barg é tão grande que ele chega a ter em seu arquivo mais de uma cópia do mesmo disco para que possa escolher o que está em melhor qualidade e, até mesmo, selecionar as faixas menos danificadas. E não são apenas dois exemplares. Há casos em que ele acumula cinco cópias de um disco. "Mas eu só fico com três. As outras eu dôo para quem se interessar ou para alguma instituição. Só não vendo", diz ele. &lt;br /&gt;"Se um disco cai na minha mão não sai", afirma Leon. "Cheguei a comprar uma coleção fechada de 6 mil discos de um amigo que mora em Rio das Ostras. Quando fui olhar o que tinha, eu só não possuía 19 títulos", completa. Leon conta que para onde vai carrega a sua "bíblia", um bloco onde tem anotadas várias séries numeradas de discos, separadas em listas organizadas por gravadoras. A cada novo exemplar que consegue ele risca um da sua listinha e já sai em busca de outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O colecionador já percorreu muitos lugares do Brasil a procura de discos, mas hoje faz todos os contatos por telefone. "As pernas não ajudam", comenta numa lamentação feliz. Quando precisa, ele manda caixas vazias pelo ônibus para que o fornecedor possa lhe enviar os discos. Em outros casos, faz uso dos serviços de uma transportadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grande quantidade de discos que compõem o acervo de Leon Barg e a fragilidade desse material levaram à montagem de um esquema especial para acondicionar o acervo. Assim que chegam às suas mãos os discos são lavados com detergente, colocados para secar - porque a umidade pode mofar o selo -, guardados em envelopes, numerados e colocados no escaninho. E não pense que isso é demais para guardar discos antigos. Muitos dos 78 rotações eram produzidos com cera de carnaúba e foram se perdendo por quebra, corrosão por fungos ou mesmo esquecidos em depósitos inadequados para o armazenamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora seja uma empresa como outra qualquer, que precisa das vendas para sobreviver, a Revivendo se propõe a só colocar trabalhos de qualidade no mercado. Todos os seus discos vêm acompanhados por um encarte que traz textos biográficos e ficha técnica das músicas. "É uma fonte de pesquisa", afirma Laís. O pesquisador Abel Cardoso Júnior é o fiel escudeiro de Leon nessa parte: é ele quem a escreve a maioria das contracapas dos CDs, faz os comentários e a apresentação. “Quando necessário eu também transcrevo as letras. Vou ouvindo as músicas e escrevendo”, completa. Algumas vezes ele recorre às editoras para facilitar o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tiragem inicial dos lançamentos Revivendo é de mil exemplares e, às vezes, é feita uma nova tiragem de apenas 500 discos se for necessário, o que aumenta os custos. Outra preocupação é colocar num mesmo CD cerca de 23 faixas, pelo que também se paga mais caro. "Mas isso permite que se dê uma maior abrangência da obra do compositor", conta Laís. "A Revivendo se sustenta, mas não dá lucros. Praticamente tudo o que entra é reinvestido na própria gravadora", completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, a Revivendo também se preocupa em melhorar a qualidade técnica de seus trabalhos sempre que possível. Por isso, se algum lançamento mais antigo tiver que ser relançado, o trabalho é todo refeito usando as tecnologias mais avançadas. Alguns dos títulos que saíram em LP nos primeiros cinco anos da Revivendo já foram retrabalhados e hoje é possível encontrá-los em CD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A idéia da Revivendo não é lançar apenas o 1º time, mas também grandes compositores e intérpretes que não ficaram conhecidos", explica Laís. É muito comum um CD da Revivendo trazer dois artistas, sendo um mais conhecido e outro menos conhecido. "É proposital. Uma maneira de tentar fazer com que as pessoas conheçam outros nomes, e também uma forma de tentar preservar a música brasileira na sua totalidade", conta Laís. "Mesmo que não tenha grande vendagem, faz parte do intuito da Revivendo", completa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma grande empreitada abraçada por Leon Barg é a série Carnaval - Sua História, Sua Glória, que teve seu primeiro volume lançado no início da década de 90 e hoje já tem 22 volumes, ou seja, são mais de 460  composições. E já estão previstos o lançamento de mais seis títulos. Apenas os volumes um e dois estão fora de catálogo. &lt;br /&gt;Embora tenha uma proposta diferenciada, a Revivendo não vive em guerra com as grandes gravadoras. "A Continental, hoje Warner, perdeu seus arquivos numa enchente na Avenida do Estado; A BMG sofreu um incêndio; a EMI reaproveitada as matrizes feitas em níquel porque era um material muito caro. Hoje, essas gravadoras são as detentoras dos fonogramas, mas não têm os fonogramas. Aí, o trabalho da Revivendo acaba sendo um serviço para elas, que podem reconstruir seus arquivos", explica Laís Barg. Fora isso, a Revivendo já cedeu fonogramas para grandes gravadoras. Quando a EMI foi lançar a caixa da Carmem Miranda, recorreu a Leon Barg que, prontamente, emprestou o material e acompanhou o pessoal da gravadora numa viagem à Londres, onde os CDs foram produzidos. Seus 78 rotações viajaram devidamente segurados, mas Leon diz que não adianta muito, afinal, se alguma coisa acontecesse não seria fácil encontrar todos os discos novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre as preciosidades do acervo de Leon Barg, a mais rara é a coleção completa de odeonettes de Francisco Alves. AS odeonettes eram a versão compacta dos 78 rotações, que não vingaram no mercado. Leon é o único no Brasil que tem essa coleção. "Ela fica trancada no cofre, como se fosse um diamante", revela Laís. A paixão que leva a esse ato não é apenas pelas raras odeonettes, mas também por Francisco Alves, grande referência musical de Leon: "Ele é o meu cantor favorito". Com 18 anos Barg conheceu o cantor e compositor pessoalmente, durante uma passagem dele por Recife. Nesse encontro, o rapaz ousou mostrar ao "Rei da Voz" uma composição de sua autoria. No fundo, tinha até uma esperança de gravá-la com ele, que, de maneira muito educada, explicou ao jovem aspirante a compositor que recebia muitas composições e não tinha como examinar todas as que lhe chegavam em mãos, e muito menos gravar todas as que lhe agradavam. A paixão é tanta, que Francisco Alves foi o primeiro homenageado pela Revivendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos lançamentos da gravadora é a caixa Raros Compassos, que traz gravações raras de canções de Tom Jobim. São três CDs que mostram, entre outros, Vicente Celestino soltando a voz em Se todos fossem iguais a você, Elza Soares com Só danço samba e a desconhecida dupla caipira Mara &amp; Cota interpretando Eu sei que vou te amar e Eu não existo sem você. Essas últimas foram feitas para um 78 rotações da Odeon, em 1959, por Sylvinha Telles e Estellinha Egg, que adotaram o pseudônimo de Mara &amp; Cota numa jogada comercial que não deu certo. A maior parte dos artistas que estão na caixa são intérpretes que não pertenciam à Bossa Nova. Há ainda muitas canções de Tom desconhecidas, que fogem aos conceitos bossa novistas, como Frase Perdida, entoada por Ernani Filho, Samba não é brinquedo na voz de Dora Lopes, ou então Cauby Peixoto interpretando o samba Oficina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito do que é lançado pela Revivendo é escolhido a partir do gosto pessoal de Leon ou pela importância que o compositor ou intérprete teve na música brasileira. Mas a empresa também considera muito as sugestões de clientes: "Recebemos muitos pedidos e procuramos, na medida do possível, atender nossos público", explica Laís. Material para isso é o que não falta no acervo da gravadora guardiã da música brasileira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-4149621875619684353?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/4149621875619684353/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=4149621875619684353' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/4149621875619684353'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/4149621875619684353'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/06/leon-barg.html' title='Leon Barg'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-4411836431660747548</id><published>2009-02-03T15:45:00.000-08:00</published><updated>2009-02-03T15:47:01.997-08:00</updated><title type='text'>Memória do choro</title><content type='html'>A tradição chorona remonta ao século 19, quando a música européia dominava os salões onde aconteciam os bailes da elite brasileira. E foi imprimindo um jeito tupiniquim na hora de tocar essa música que grupos de instrumentistas populares do Rio de Janeiro criaram a base do choro. “A partir da década de 1880, com a proliferação dos pequenos grupos de flauta, violão e cavaquinho, transformados em acompanhadores do canto de modinhas sentimentais e tocadores de polcas-serenatas à noite, pelas ruas, e em orquestras de pobre, para fornecimento de música de dança nas casas dos bairros e subúrbios cariocas mais humildes, a música do choro vai se tornar cada vez mais popular”, escreve José Ramos Tinhorão em Pequena História da Música Popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de um século depois, os músicos Maurício Carilho e Anna Paes mergulharam em uma pesquisa que levantou o nome de 1.300 compositores de choro nascidos entre 1830 e 1880, além de 6 mil composições desse período. Juntos, eles vasculharam arquivos públicos e particulares para trazer de volta à tona o começo da história do choro, que se confunde com a história da música produzida no Brasil. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Habituado a guardar partituras, Maurício começou a sistematizar uma pesquisa em 1999. Junto com Anna, apresentou o projeto de levantamento e agrupamento de composições e compositores do século 19 para a Fundação Rio Arte e conseguiu uma bolsa de um ano e meio para desenvolver a pesquisa. Durante esse período e por mais uns seis meses bancados do próprio bolso, eles se embrenharam numa busca por partituras e cadernos de choro. O alvo não eram apenas os compositores mais conhecidos, mas também aqueles que não tiveram muita projeção com o seu trabalho, apesar de sua importância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os acervos mais importantes para a pesquisa foram a Biblioteca Nacional e a Coleção Mozart Araújo, que está sob a tutela do Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro”, conta Maurício. “Integrando a coleção Mozart Araújo encontramos a cópia do acervo de Donga, no qual tinha coisas de um compositor chamado Frederico de Jesus, que era copista de grandes músicos da época, como Pixinguinha e João Pernambuco”, completa. Posteriormente, esses dados foram confirmados por Lígia Santos, filha de Donga e com quem está o arquivo original do sambista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que os pesquisadores mais lamentam é não ter tido acesso ao acervo do Museu da Imagem e do Som (MIS) do Rio de Janeiro, onde está o acervo de Jacob do Bandolim e Almirante. Eles também não conseguiram acessar os arquivos de Chiquinha Gonzaga e Pixinguinha, dois dos maiores nomes do choro. O primeiro porque está sob a tutela da Sociedade Brasileira de Autores de Teatro (SBAT), que não permitiu o acesso. O segundo porque estava sendo inventariado pelo Instituto Moreira Salles, que comprou o acervo do músico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente, Mauricio acabou conseguindo a “cópia da cópia” de algumas partituras que estão no MIS do Rio de Janeiro. De Chiquinha e Pixinguinha, por serem mais conhecidos, foi mais fácil encontrar alguém que tivesse as partituras. “Já tínhamos algumas coisas de Chiquinha porque uma vez fizemos um trabalho para o CCBB e tivemos acesso ao arquivo”, conta Anna Paes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o trabalho ficar completo, não bastava pesquisar, encontrar e fazer uma cópia das partituras. Maurício conta que numa de suas buscas encontrou um caderno escrito por volta de 1830 que teve uma parte devorada por cupins. “Em algumas músicas tive que fazer o trabalho de restauração na própria composição, seguindo o estilo do músico e tentando encontrar o acorde que ele próprio faria”, explica.&lt;br /&gt;Dentre as pessoas que ajudaram na empreitada está o pesquisador Jairo Severiano, que cedeu 8 cadernos de choro que estavam em seu poder. O músico&lt;br /&gt;Izaías, de São Paulo, abriu o seu arquivo para os pesquisadores.&lt;br /&gt;Anna Paes cita ainda o flautista amador Gérson Ferreira Pinto, que herdou muitas partituras e deixou livre o acesso ao seu acervo: “Ele tem um caderno, todo escrito em caneta tinteiro, que provavelmente pertenceu ao pai de Pixinguinha”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma parte do material levantado deu origem à caixa Princípios do Choro, um pacote com 15 CDs distribuídos em 5 caixas de 3 discos cada uma. Dentre os 50 compositores selecionados para compor as 248 faixas dos discos da coleção estão: Cândido Pereira da Silva, Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Henrique Alves Mesquita, Anacleto de Medeiros, Joaquim Callado, Viriato Figueira, Mário Álvares da Conceição e Irineu de Almeida. Os dois últimos foram professores de Pixinguinha e mereceram um CD exclusivo cada um. Foi com Irineu, inclusive, que Pixinguinha fez sua primeira gravação, participando do tango brasileiro São João Debaixo D’água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A execução das obras desses mestres ficou por conta de 36 músicos contemporâneos escolhidos a dedo: Altamiro Carrilho, Toninho Carrasqueira, Proveta, Paulo Sérgio Santos, Joel Nascimento, Pedro Amorim, Sérgio de Jesus,Vítor Santos, Luciana Rabello, Márcio de Almeida, João Lyra, Cristóvão Bastos, Álvaro Carrilho, Luiz Otávio Braga, Ronaldo Souza, Rogério Souza, Jorginho do Pandeiro, Celsinho Silva, Rui Alvim, Marcelo Bernardes, Ricardo Amado, Luís Flávio Alcofra, Eliezer Rodrigues, Juliano Barbosa, Bernardo Bessler, Hugo Pilger, Jessé Sadoc, Andréa Ernest Dias, Cristiano Alves, Zé Paulo Becker, Leonardo Miranda, além do próprio Maurício Carrilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como complemento a esses discos foram publicados os cadernos Princípios do Choro, cinco volumes que trazem as partituras das músicas que estão nos CDs. Esse trabalho vai permitir que muitas gerações tenham acesso ao que foi produzido no século 19. “A literatura de choro era muito mal tratada e editada e tinha péssima revisão. Esses cadernos vão servir não apenas para pesquisa, mas também para quem quiser estudar o choro”, afirma Luciana Rabello, da gravadora Acari Record, parceira do projeto.&lt;br /&gt;Um outro fruto da pesquisa é o CD Mulheres do Choro, com composições de 14 choronas, desde Chiquinha Gonzaga até Luciana Rabello. A pesquisa levantou o nome de 123 compositoras, mas até hoje a única que ficou conhecida foi Chiquinha Gonzaga. Lina Pesce, Carolina Cardoso de Meneses, Tia Amélia, Ludovina Vilas Boas, Ernestina Índia do Brasil e Joana Leal de Barros estão entre as compositoras lembradas no disco. Esta última, apesar de pouco conhecida, era contemporânea de Chiquinha Gonzaga que, inclusive, compôs uma música em sua homenagem: Janniquinha, a 11º faixa do disco. “Na partitura dessa música Chiquinha deixou escrito que era dedicada à Joana”, conta Luciana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A busca de Mauricio e Anna rendeu ainda uma caixa de 5 CDs com a gravação da obra completa de Joaquim Callado (1848-1880), considerado o “pai dos chorões no Brasil”. Foi ele quem incorporou a flauta aos grupos de choro. José Ramos Tinhorão relata no livro Pequena História da Música Popular que “os conjuntos formados por Calado alguns anos antes de sua morte, em 1867, e que incluíam entre seus componentes alguns dos mais competentes músicos do tempo, inclusive a jovem pianista Chiquinha Gonzaga, seriam certamente os mais importantes dessa fase de fixação do estilo choro”. Sendo assim, só podemos dizer obrigada aos pesquisadores!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-4411836431660747548?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/4411836431660747548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=4411836431660747548' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/4411836431660747548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/4411836431660747548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/02/memoria-do-choro.html' title='Memória do choro'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-7116216040763193135</id><published>2009-01-09T06:27:00.000-08:00</published><updated>2009-01-09T06:30:55.490-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Acervos Pessoais'/><title type='text'>José Ramos Tinhorão</title><content type='html'>A imagem que se tem de José Ramos Tinhorão é de um senhor rabugento, nacionalista e inimigo da Bossa Nova. São estereótipos criados pela mídia que gosta de intitular de maneira sensacionalista matérias sobre Tinhorão. “Obsessivo Maldito” ou “O inimigo da MPB está de volta” são alguns exemplos. Mas a história do pesquisador - sim, porque antes de ser o crítico de música ele é um pesquisador - mostra que esse lado tão comentado e exposto representa um ponto de vista (polêmico ou não) formado a partir de estudos sobre as origens da música urbana brasileira. &lt;br /&gt;Tinhorão ganhou essa imagem de “malvado” quando começou a escrever a coluna “Primeiras Lições de Samba” no Jornal do Brasil, em fins da década de 50, onde fez suas primeiras críticas ao movimento “bossa novista”. Foi nessa época também que ele começou a juntar o material que hoje compõe o seu acervo, vendido para o Instituto Moreira Salles em 2000. &lt;br /&gt;Nascido em Santos, Tinhorão passou a infância e a juventude em Botafogo, no Rio de Janeiro. Antes de se apaixonar pela música brasileira, era um aficcionado por literatura. Com 16 anos aprendeu a ler em francês e fascinou-se pelos autores franceses do século 18. Nessa época, a curiosidade o levou a constantes descobertas na área literária. “Foi meu pai que me apresentou o Aluisio Azevedo. Quando li O Cortiço, gostei tanto que saí procurando outros livros do mesmo autor. E assim li toda a obra de Aluísio Azevedo, o que me levou até O Ateneu de Raul Pompéia”, conta. “Eu me fixei em determinadas coisas. Gostava de literatura e passei a ler também história da literatura. Aí enveredei por esse lado”, completa. &lt;br /&gt;A música veio depois, enquanto cursava jornalismo na Faculdade de Filosofia do Rio de Janeiro. Na casa de Humberto Franceschi, seu colega de faculdade, Tinhorão conheceu Ismael Silva e Nelson Cavaquinho. Mas a música ainda não se tornara sua grande paixão. Em meados da década de 50 começou a trabalhar como copidesque no Diário Carioca, e aproveitava o tempo fora da redação para escrever textos que oferecia ao Segundo Caderno do jornal de domingo. Numa dessas vezes fez uma reportagem sobre as tentativas de introduzir camelos no Brasil. “Descobri que D.João VI já &lt;br /&gt;tinha trazido camelo do norte da África para o Rio de Janeiro e Ceará”, conta. No Diário, nunca escreveu uma linha sobre música. Quando foi para o Jornal do Brasil, em 1958, Sérgio Cabral escrevia a coluna Música Naquela Base, na qual, segundo Tinhorão, entrevistava sambistas com&lt;br /&gt;seriedade pela primeira vez. Um outro colunista, Luiz Orlando Carneiro, estava escrevendo uma série de artigos semanais chamada Primeiras Lições de Jazz. Quando estas “lições” chegaram ao fim, o diretor do Segundo Caderno, Reinaldo Jardim, sugeriu a Tinhorão fazer as Primeiras Lições de Samba. Sem nunca ter escrito sobre música, ele disse que seria difícil porque não havia nenhuma bibliografia específica a respeito do tema. A resposta do diretor veio rápida: “Se não tem, você entrevista, procura”. O desafio fora lançado e Tinhorão saiu em busca de informações que pudessem nortear seus artigos. Os únicos livros sobre música popular que existiam no início dos anos 60 eram Brasil Sonoro, de Mariza Lira; Na Roda do Samba, de João Guimarães; Samba, de Orestes Barbosa; Reminiscências dos Chorões Antigos, livro de memórias escrito pelo carteiro Alexandre Gonçalves Pinto; e Sambistas e Chorões, de Lúcio Rangel. “Diante dessa dificuldade de não ter material, eu comecei a entrevistar as pessoas”, conta. &lt;br /&gt;O pesquisador guarda em seu acervo três entrevistas gravadas em fitas cassete com João da Baiana; uma longa entrevista com Heitor dos Prazeres, em que ele explica a famosa briga com Sinhô por causa da autoria de sambas, além de conversas com Donga e Luiz Peixoto. Tinhorão lamenta não ter gravado a entrevista feita com Pixinguinha, que ainda rapaz fez parte de um grupo chamado Choro Carioca, pelo qual gravou cerca de 5 discos na Casa Faulhaber. “Levei os discos dessa época para ele escutar, e ele me disse que não ouvia aquelas gravações havia mais de 40 anos.” Sem poder gravar as impressões de Pixinguinha, Tinhorão foi anotando tudo o que podia nas capas dos discos, que estão todas guardadas no seu acervo. Tem também uma entrevista com um sambista da Serrinha, bloco que deu origem a escola de samba Império Serrano, gravada quando este estava moribundo num hospital público. Foi esse senhor, de cujo nome Tinhorão não se lembra, quem lhe explicou que os blocos carnavalescos que desfilavam na Praça XI, onde havia muitas casas funerárias, sabiam qual era o que mais agradava ao público pelo número de miniaturas de coroa de flores colocadas na ponta da vara que sustentava a bandeira. “Os donos de funerárias ficavam sentados na porta de suas casas e quando gostavam da apresentação de um bloco colocavam uma coroa pequenininha na ponta da bandeira”, explica. “Essas informações preciosas foram fazendo meu acervo pessoal de depoimentos”, completa. &lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, Tinhorão começou a formar pastas com recortes de jornais que continham alguma informação sobre música. “O jornal é o tipo de documento que dá uma idéia da multiplicidade de fatos que compõem a realidade”, diz. O resultado é um arquivo com cerca de 34 mil recortes, indexados por assuntos e personagens. Estão lá pastas com material de imprensa sobre a Bossa Nova no Carnegie Hall, o Tropicalismo, a MPB no exterior, Jingles, Música e Alienação - ídolos hippies e anos 70, teatro de revista, cinema e TV, origens do samba, plágios, e muitos outros. Nesta última, está a partitura do samba Violão Amigo, de Bide e Marçal, que, segundo Tinhorão, é a música plagiada por Tom Jobim em Desafinado. “Se alguém duvidar, eu posso comprovar”, desafia. &lt;br /&gt;Nos sebos do Rio de Janeiro o pesquisador encontrava, além de livros, revistas e partituras que ia levando para casa. Ele conta que procurava nos anúncios de sebos do Correio da Manhã os livros mais interessantes e ia marcando com um grifo. “Às vezes marcava quatro, mas só comprava um. Ali está a marca de muitas compras frustradas”. Ao mesmo tempo em que lia sobre música e entrevistava os artistas, Tinhorão sentia necessidade de ouvir as canções. Começou então uma busca por discos da época do gramofone, colocando anúncios em jornal. Quando já acumulava uma quantidade considerável de material ele publicou, também no Jornal do Brasil, uma série chamada Contribuição à Bibliografia da Música Popular Brasileira. “Foi a primeira vez que alguém levantou uma bibliografia do que existia impresso sobre música popular no Brasil”, explica. &lt;br /&gt;Por causa das “Primeiras Lições de Samba” e deste levantamento bibliográfico, Tinhorão se sentiu obrigado a continuar sua busca por informações. “Eu já tinha um tal material acumulado e tanta gente me perguntava coisas, que eu precisava justificar. Sem querer me transformei em um estudioso de música popular brasileira.” Mas o estudioso acabou sendo sufocado pelo crítico, como é mais conhecido. “As pessoas me identificam como o cara que esculhamba a Bossa Nova. O Tinhorão sério, das pesquisas que saem em livro, ficou esquecido.” Abordando temas relacionados à música e à cultura popular urbana, Tinhorão foge do tipo de estudo acadêmico. “Os intelectuais da universidade comem Tinhorão e arrotam Mário de Andrade. A Universidade não aceita que alguém que não seja da máfia deles chegue a hipóteses interessantes. Eu tenho a cópia de uma tese de &lt;br /&gt;Minas Gerais que diz assim ‘Certos autores levantam a hipótese...’, e continua com uma idéia minha. Eles não dizem que colheram o dado num livro do Tinhorão”, explica. “Meus livros não são algo para morrer. Eu tenho certeza que daqui a 30 ou 40 anos quem quiser estudar a história da música no Brasil vai ter como autor básico o Tinhorão”, completa. &lt;br /&gt;O pesquisador aponta que o grande diferencial de seu trabalho é abordar os fatos a partir do ponto de vista do materialismo histórico, adotado por ele quando teve contato com a obra de Marx e Engels. “Percebi que era muito fácil compreender os fenômenos sócio culturais sabendo que as relações humanas no mundo capitalista não se dão apenas entre uma pessoa e outra, mas também entre classes”, explica. Assim, ele sustenta a polêmica tese de que a Bossa Nova é americanizada e jamais foi popular no Brasil. “A Bossa Nova era um negócio que não tinha nada a ver com o processo cultural brasileiro. Ela surgiu na classe média carioca, que era muito nova e estava adquirindo os bens, como rádio e toca-discos, que o capitalismo permite às pessoas com um certo poder aquisitivo. Ela não ia comprar um aparelho caro para ficar ouvindo crioulo falando em morro, então consumia música americanizada”, explica. &lt;br /&gt;Mas, para além de suas teses controversas sobre a Bossa Nova, o estudo de Tinhorão busca sistematizar informações. Em Os sons que vêm da rua, por exemplo, ele faz um levantamento de todo tipo de ruído que se podia ouvir nas ruas do Rio de Janeiro naquele final da década de 70. “O que se perde no Brasil da história oral que poderia ser aproveitada pela história escrita são coisas incríveis. A sociedade é muito dinâmica, e em 20 anos uma coisa desaparece”, afirma. O pesquisador acredita que muito do que se tem de lacuna na história é porque se deixou perder o &lt;br /&gt;testemunho das coisas. “Eu percebi isso imediatamente e comecei a acumular material”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Acervo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Para Tinhorão, os acervos nascem ou de uma paixão ou de uma necessidade. “No meu caso resultou de uma necessidade que se transformou em paixão”. Metódico em suas análises, o pesquisador foi angariando todo tipo de material que contivesse alguma referência à música popular urbana para formar o acervo que lhe deu as bases para desenvolver sua obra. Dezenas de pôsteres de filmes, como dos musicais de Mazzaropi, e centenas de programas e cartazes de shows, como o do projeto Seis e Meia, estão no seu acervo. “Tudo isso é material de informação, com os nomes dos músicos que se apresentaram no espetáculo, além de onde e quando aconteceu”, explica. Está no seu arquivo um cartaz desenhado por Ziraldo para o1º Festival Internacional da Canção, que marcou o início da era dos festivais da TV Record. &lt;br /&gt;Um dos pontos fortes do acervo são as partituras. Elas estão divididas por autores ou temas: Assis Valente, Cândido das Neves, Mário Lago, Nássara, Luiz Gonzaga, Wilson Batista, Sinhô, Marcelo Tupinambá, Waldir Azevedo, Raul Torres, João de Barro, edições estrangeiras de partituras de MPB, músicas sobre o rádio, músicas para crianças, músicas de teatro de revista, músicas de sala de espera de cinema, entre outras. “Isso é importante porque você tem o espírito da época. Se alguém quiser fazer um filme daqui a 50 anos que seja passado no Rio de Janeiro da década de 20 e tem uma cena que se passa na sala de espera do cinema, é só pegar as partituras da época e colocar a banda para tocar”, comenta. &lt;br /&gt;O Carnaval é um capítulo à parte no acervo de Tinhorão. Ele guardou partituras dos grandes sucessos de carnaval desde a década de 30. Os recortes de jornal sobre o assunto estão em pastas organizadas desde 1969 até 2002. Na parte fonográfica, ele tem os discos com os sucessos carnavalescos desde o início do século 20, em 76 e 78 rotações, até o aparecimento dos LPs, em meados da década de 50. &lt;br /&gt;Na parte de livros estão mais de 8 mil obras que interessam ao estudo da música popular. São livros de literatura, contos, crônicas, memórias, teatro, poesia, cordel e artes. Há livros sobre instrumentos musicais, catálogos, e a literatura produzida por gente do rádio, como um livro de crônicas do Osvaldo Moles e Acabaram de Ouvir..., de César Ladeira. &lt;br /&gt;Tinhorão guardou também uma série de revistas. Tem a coleção quase completa das publicações de atualidades O Malho (desde 1902), A Careta, Fon-Fon, Seleta, Revista da Semana, Ilustração Brasileira, Carioca e Cine-Rádio-Jornal. Arquivou também os títulos que apresentavam reflexões sobre o cenário político-histórico-cultural brasileiro: Cultura Política, Cultura (do Conselho Federal de Educação), Revista MEC, Civilização Brasileira, Revista Brasileira de Folclore, Revista Brasileira de Música, Brasiliense, Revista de Música Latino-Americana, entre outras. Uma outra fonte da qual Tinhorão fez muito uso são os folhetos do século 19 que publicavam as letras de canções populares. A partir do século 20 surgiram os jornais de modinhas, vendidos, até a década de 40, e dos quais ele também guarda exemplares. Somam-se a esse material 11 coleções de Suplementos Literários de jornais do Rio de Janeiro e São Paulo como A Manhã, O Estado de S.Paulo, Correio Paulistano e Correio da Manhã. “Grande parte do que se discutia culturalmente no Brasil não ia para livros, era publicado como ensaio nesses suplementos dos jornais.” &lt;br /&gt;Na parte fonográfica, o pesquisador juntou cerca de 6 mil LPs e 8 mil discos 78 e 76 rpm. Estão lá discos do início do século da Favorite Records, Phoenix, Casa Faulhaber, Columbia, e de pequenas gravadoras como Trovador, Imperador e Brasil Fone. Entre os LPs de 10 polegadas, cerca de 300 são de música brasileira. Durante muito tempo esse acervo esteve confinado numa kitnet de 31 m² onde Tinhorão morava. Sua coleção da revista O Malho ficava empilhada atrás da porta e quase teve o primeiro volume perdido por causa de um vazamento no apartamento de cima. A situação de seu acervo o estimulou a tentar encontrar um local que pudesse abrigá-lo. Um deles foi a Casa Mário de Andrade, mas um dos assessores do secretário de Cultura do Estado disse que discos de música popular não tinham nada a ver com Mário de Andrade. Um absurdo se pensarmos que ele foi pesquisador da música popular e escreveu obras como Ensaios sobre a Música Brasileira, Compêndio de História da Música e Aspectos da Música Brasileira. A outra tentativa de Tinhorão foi o Instituto de Estudos Brasileiros da USP (IEB), que esquivou-se da responsabilidade. &lt;br /&gt;Foi o Instituto Moreira Salles que encampou o acervo para integrá-lo à Reserva Técnica Musical. A compra aconteceu em 2000, e Tinhorão pode salvar seu legado da destruição e, melhor de tudo, colocá-lo ao acesso do público. “As pessoas têm determinadas opiniões porque não conhecem. E não conhecem porque não têm um lugar em que possam ir e encontrar informações. Lugar nenhum do mundo reúne, como aqui, toda a informação a respeito de determinado tema”, diz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-7116216040763193135?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/7116216040763193135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=7116216040763193135' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/7116216040763193135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/7116216040763193135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/01/jos-ramos-tinhoro.html' title='José Ramos Tinhorão'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-3990499731709339564</id><published>2009-01-08T17:15:00.000-08:00</published><updated>2009-01-08T17:18:53.729-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Acervos Pessoais'/><title type='text'>Humberto Fraceschi</title><content type='html'>Humberto Franceschi é fotógrafo publicitário de profissão e obcecado pesquisador de música brasileira por opção. Presente desde pequeno em reuniões caseiras promovidas pelo seu avô, nas quais se ouvia e discutia música, Franceschi desenvolveu a paixão pela música popular brasileira e, em 1941, começou a juntar discos. O resultado é que 60 anos depois, o pesquisador se viu com um rico acervo que contempla desde as primeiras gravações da Casa Edison, representante da Odeon no Brasil, até fonogramas inéditos com a velha guarda do samba. &lt;br /&gt;Pesquisador detalhista e exigente, Franceschi se considera apenas um “fuçador” da música brasileira. Meticuloso, procura levar suas pesquisas até a comprovação dos fatos que a mídia e os trabalhos menos acurados insistem em divulgar como verdadeiros. “O que eu quero é acabar com os chutes e mentiras que existem por aí”, diz. Do mesmo modo que José Ramos Tinhorão, seu amigo pessoal, Franceschi é avesso ao estudo acadêmico da música popular. “Um dia, uma pesquisadora de São Paulo me ligou e pediu permissão para usar informações de um livro meu, ao que atendi prontamente. Então ela perguntou quais eram meus créditos universitários. Ao dizer que não tinha nenhum, ela se desculpou e falou que não poderia usar minhas informações. Quer dizer então que meu trabalho não é de qualidade?”, questiona. Se os conhecimentos de Franceschi não são acadêmicos, eles vêm da convivência do pesquisador com pessoas como Sérgio Porto, Lúcio Rangel e Almirante, todos grandes estudiosos da música brasileira, além de músicos do porte de Cartola, Baden Powell e de seu primo, Vinicius de Moraes. &lt;br /&gt;Ao longo dessas décadas de envolvimento com a música, Franceschi desenvolveu uma grande paixão pela fase mecânica da gravação. Em 1984, publicou o livro Registro Sonoro por Meios Mecânicos no Brasil, no qual explica o surgimento da gravação mecânica, a chegada dessa tecnologia ao Brasil e todo o processo de comercialização da música desencadeado com a fundação da Casa Edison pelo austríaco naturalizado brasileiro Frederico Figner. &lt;br /&gt;Colega de escola de uma das netas de Fred Figner, o pesquisador teve o caminho aberto para entrar em contato com as filhas do comerciante, que aceitaram lhe dar informações sobre a Casa Edison. “As filhas do Figner me cederam muita coisa. Não o arquivo em si, mas o que elas se lembravam, um ou outro documento que tinham. Isso foi o que eu botei no Registro Sonoro”, explica. Na década de 90, o pesquisador pode ter o contato direto com os documentos. “Eu tive acesso ao resíduo do arquivo da Casa Edison. Resíduo porque foi destruído quase tudo. Mas com os documentos restantes na mão eu pude ver que muita coisa havia sido chutada e poderia ser esclarecida. Aí eu consegui fazer coisas que ninguém sabia porque não tinha documentação”, conta. O resultado é o livro A Casa Edison e Seu Tempo, uma edição luxuosa de 300 páginas que conta detalhadamente a história da primeira gravadora a surgir no Brasil e busca derrubar alguns mitos criados sobre ela ao longo do tempo. &lt;br /&gt;Um desses mitos é o do primeiro disco gravado no Brasil. A partir dos documentos analisados, Franceschi afirma que o famoso disco com o lundu “Isto é Bom”, de número 10.001, foi o primeiro etiquetado no país e o primeiro a aparecer no catálogo da Casa Edison. Entretanto, não há documentação que comprove ter sido esse o primeiro disco gravado em terras brasileiras. O pesquisador explica que junto com ele foram gravadas outras 174 ceras, mandadas para a Alemanha em caixotes. No navio, três caixas acabaram destruídas porque ficaram perto das caldeiras. Assim, das 175 ceras sobraram apenas 150, sendo portanto impossível precisar qual delas foi a primeira gravada por aqui. Primando por desmistificar as histórias que cercam a existência da Casa Edison, Franceschi anexou ao livro 5 Fotos-CDs com os documentos analisados escaneados em ótima resolução e possibilidade de impressão. Há um CD com documentos diversos, um com partituras manuscritas e outro com impressas, além de dois com arranjos. Ao todo são 21 mil documentos. “O que existe de arquivo da Casa Edison está dentro do livro, você pode botar no computador, imprimir, fazer banco de dados. Isso facilita a vida de todo mundo”, explica. Entre a documentação disponível estão os contratos de compra dos direitos autorais feitos por Fred Figner. Com isso, Franceschi busca derrubar outro mito: o de que Figner não pagava os direitos autorais de seus artistas. “Eu peguei quase 2 mil contratos de direito autoral, o que muda o conceito dessa história toda”. &lt;br /&gt;Também anexados ao livro estão 4 CDs com as 100 canções mais significativas daquela época, que permitem ao leitor acompanhar a história da música gravada no Brasil a partir da audição de registros originais. Na margem da página há indicações do número do CD e faixa em que se encontra a música à qual o texto se refere naquele trecho. &lt;br /&gt;Essa obra é um dos produtos resultantes do projeto feito pelo Instituto Moreira Salles em parceria com a Petrobrás. Chamado Reserva Técnica Musical, o projeto abriga o Centro Petrobrás de Referência da Música Brasileira. Também fruto dessa iniciativa é a caixa Memórias Musicais - uma coleção de 15 CDs com gravações da Banda do Corpo de Bombeiros e Banda da Casa Edison, Pixinguinha, Luís Americano, Patápio Silva, entre outros. Assim como os 4 CDs que acompanham o livro, essa caixa foi feita a partir da restauração do acervo de 6 mil discos 78 rpm (12 mil gravações que compreendem o período de 1902 a 1950) vendido por Humberto Franceschi ao Instituto Moreira  Salles. “Essas gravações correspondem a cerca de 30% do que foi gravado no Brasil na primeira metade do século 20”, explica o pesquisador. Os originais estão todos acondicionados no prédio do Instituto, e quem for até lá pode ouvir as 12 mil gravações recuperadas do acervo do pesquisador. Os fonogramas também podem ser ouvidos na internet, no site do instituto (www.ims.com.br). &lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;Acervo &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Além dos 6 mil discos vendidos para o Instituto Moreira Salles (que Franceschi ainda guarda, mas compactados em 770 CDs), o acervo do pesquisador guarda outras relíquias da música brasileira. Tem, por exemplo, uma gravação caseira feita com Baden Powell. O pesquisador preparava um documentário e sugeriu ao violonista fazer alguma coisa em cima do Abismo de Rosas, de Dilermando Reis, para a trilha sonora do filme. Baden aceitou o desafio, mas não se lembrava dos acordes da música. A solução foi ligar para Dilermando, que assobiou os primeiros acordes, e assim o violonista seguiu tocando 14 minutos de improvisação. O filme acabou não saindo e a gravação &lt;br /&gt;ficou guardada por algum tempo. Com o surgimento da tecnologia digital, Franceschi permitiu que o material fosse passado para o novo sistema, mas não se mostra satisfeito com o resultado. “A reprodução é um violão estridente, metálico demais. A minha gravação é mais cheia, tem mais cara do violão que eu entendo”, comenta colocando para tocar uma gravação em seguida da outra. &lt;br /&gt;Há também em seus guardados uma série de 127 programas da extinta Rádio Tupi, nos quais se apresenta o mestre Pixinguinha. Para o pesquisador, essas fitas chegaram às suas mãos por “um acidente desses caídos do céu”. Ele conta que o contra-regra da rádio era apaixonado por Pixiguinha e, em vez de jogar fora os acetatos com gravações do músico depois que o programa ia ao ar, como era o costume, ele os guardava. “No fim de um certo tempo ele pegou os discos e deu para o Almirante. Eu soube, liguei para o Almirante e ele disse que deixaria os discos comigo até domingo. Era uma sexta-feira e eu saí a mil, copiei tudo e devolvi pra ele. Os discos sumiram. Eu tenho aqui os 127 programas. São 200 músicas. Isso foi tocado uma única vez, às quartas-feiras, de 1947 até 1952”, conta com orgulho. &lt;br /&gt;Franceschi guarda também uma cópia do arquivo do pesquisador Lúcio Rangel, que vendeu seu acervo de discos para o governo de Carlos Lacerda fazer o Museu da Imagem e do Som (MIS). “Quando o Lúcio vendeu o arquivo para o Carlos Lacerda eu fiquei com medo de perdê-lo e combinei com o Sérgio Porto de copiar tudo em fita de rolo. Aí aproveitei e copiei o do Sérgio também. Um ano depois o Lúcio me disse que foi fazer uma fita para o aniversário de um amigo e todos os seus discos tinham sumido. Quando ele precisava de alguma coisa vinha aqui e copiava &lt;br /&gt;dos meus”, conta Franceschi. &lt;br /&gt;Outra raridade que está nas mãos de Franceschi são os álbuns originais com as 33 gravações feitas pelo maestro Stokovski dentro de um estúdio montado no navio SS Uruguai, em 1940, em um evento que fez parte da política da Boa Vizinhança. “Isso foi Vinicius (de Moraes), meu primo, que me deu. Ele era cônsul em Los Angeles quando saiu o álbum, e mandou um para mim e um pro Lúcio Rangel”, conta. Esse álbum, dois discos com 8 músicas cada, não foi lançado no Brasil e até &lt;br /&gt;hoje não foi encontrada a matriz, que deve estar nos EUA. Entre os registros feitos pelo maestro Stokovski estão canções com Pixinguinha, Jararaca e Ratinho, Zé Espinguela, entre outros. “O álbum do Lúcio foi pro Carlos Lacerda fazer o MIS e acabou sumindo. O Arnaldo Vasconcelos também tinha um álbum que acabou me dando. Eu tenho dois”, completa. &lt;br /&gt;Ele guarda também 103 das 130 gravações feitas para a Feira Mundial de Nova Iorque, em 1939. Dentre elas estão as famosas Bachianas, de Villa-Lobos, autografadas pelo próprio compositor. A Feira foi um evento que serviu para difundir entre os americanos uma imagem positiva dos países latino-americanos. O pavilhão brasileiro foi projetado por Lúcio Costa e Oscar Niemeyer e teve como grande atração a música, mas também apresentou telas de Cândido Portinari, e obras escritas de Machado de Assis, Manuel Bandeira e Gilberto Freyre, além de recursos naturais como madeira e minérios. &lt;br /&gt;As relíquias de Franceschi incluem ainda gravações inéditas de Cartola. Quando Sérgio Porto conheceu o compositor lavando carros na Garagem Oceânica, na rua Visconde de Pirajá, fez cerca de 50 gravações com ele e guardou de lembrança. Com a morte de Sérgio Porto, Franceschi ficou com essas fitas. “Um dia o Cartola me ligou e disse que ia gravar um LP, mas não se lembrava &lt;br /&gt;mais das músicas que tinha feito no princípio. Eu disse que poderíamos fazer uma troca: ele ouviria as gravações que estavam comigo e, em compensação, eu queria que ele me mostrasse as novas composições. Ele veio aqui em casa, eu botei um gravador em cima da mesa e ele cantou 70 músicas e declamou poemas. Isso nunca ninguém ouviu, nunca ninguém cantou. “Essas gravações do Cartola foram feitas dois meses antes do 1º LP (lançado pela Marcus Pereira). Algumas das músicas estão no disco, mas a vantagem é que eu tenho ele tocando violão sozinho, coisa que não existe gravada. Em geral são aquelas coisas com arranjos, mas ele sozinho com o violão é muito difícil”.&lt;br /&gt;Para o pesquisador, a maior importância desse material é desfazer o preconceito existente com relação à música antiga. “A tragédia da música brasileira é a chamada nova roupagem. As releituras, em geral, não são releituras, são assassinatos. O segredo desse negócio de música de uma determinada época para trás é a transcrição, ou seja, como você tira do disco e transporta para um suporte digital. Naquele período, as gravações eram feitas com um microfone só e o segredo era a disposição dos músicos em volta do microfone. Havia uma coisa básica que era manter o ambiente de sala, um diálogo musical feito dentro de uma cubagem definida. No conceito digital de hoje não existe isso. Um cara grava aqui, outro grava em Nova York, outro na conchinchina, um outro cara coloca a voz e fica aquela coisa híbrida. É um arranjo”, explica. &lt;br /&gt;No prefácio do livro Registro Sonoro Por meios Mecânicos no Brasil, Humberto Franceschi diz que “se o critério fosse voltado para o uso de toda a potencialidade que a nova tecnologia oferece, os resultados seriam surpreendentes para os que não conhecem o que se fez no passado, e tudo perfeitamente integrado à sensível exigência da linguagem auditiva atual. Infelizmente isso não tem acontecido. As oportunidades - geralmente patrocinadas por empresas comerciais sob a forma de brinde resultaram quase sempre num desserviço, transformando esse tipo de trabalho numa arma efetiva de contra cultura”. &lt;br /&gt;Ele acredita que a internet é o melhor canal para a divulgação da música brasileira. “Foram gravadas 70 mil músicas entre 1902 e 1950. Se você classifica pedagogicamente 5% disso, você muda a cabeça das pessoas”. Pelo menos a sua parte ele já fez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-3990499731709339564?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/3990499731709339564/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=3990499731709339564' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/3990499731709339564'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/3990499731709339564'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2009/01/humberto-fraceschi.html' title='Humberto Fraceschi'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6258585036650583533.post-5246421129629624389</id><published>2008-12-14T15:56:00.000-08:00</published><updated>2008-12-14T15:57:45.923-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Acervos Pessoais'/><title type='text'>Noel Rosa</title><content type='html'>Mirrado, magrinho, fumante exacerbado e boêmio, Noel Rosa tornou-se referência quando se fala de samba. Nascido em Vila Isabel, no Rio de Janeiro, é conhecido por muitos por um defeito físico: o queixo afundado, fruto de um parto feito a fórceps. Mas, muito mais do que por uma mera deformidade no rosto, Noel Rosa é reconhecido como um dos pilares da música brasileira. Autor de composições que traduziam a conjuntura social do país, o cotidiano carioca e descreviam o amor,  Noel é até hoje fonte de inspiração para muitos sambistas. &lt;br /&gt;Ele viveu apenas 26 anos, e nesse curto espaço de tempo trabalhou em mais de 200 composições.  Noel seguiu a sua vida compondo, aturando as loucuras do pai e convivendo com suas poucas e tumultuadas paixões, até que no dia 4 de maio de 1937 faleceu vítima de tuberculose. &lt;br /&gt;Cinqüenta anos depois de sua morte, um pesquisador de São Paulo resolveu resgatar o legado do sambista. O resultado do trabalho pode ser traduzido na cena que se passou durante uma festa de aniversário do compositor Théo de Barros, quando o aniversariante apresentou o produtor J.C. Botezelli, o Pelão, para um homem alto e barbudo, dizendo: “Pelão, esse é o Omar”. Como num lamento, o produtor retrucou: “Pena que não é o Omar Jubran”. A resposta veio rápida: “Pena nada, eu sou o Jubran!”. Emocionado, Pelão chorou por estar diante do homem que reuniu em 14 CDs a discografia quase completa de Noel. Uma façanha que perenizou e deixou acessível a obra do artista. &lt;br /&gt;Tudo foi feito com muito critério e o máximo de perfeccionismo, uma característica do obsessivo Omar Jubran, um professor de biologia apaixonado por música e dono de um acervo pessoal com mais de 15 mil títulos. A caixa Noel pela Primeira Vez saiu no circuito comercial em 2000, numa parceria entre a Gravadora Velas e a Funarte. Foram 11 anos de pesquisa até que Omar Jubran conseguisse reunir 228, das 259 composições listadas por João Máximo e Carlos Didier no livro Noel Rosa, Uma Biografia, considerado a obra mais completa sobre a vida de Noel. A lista das 259 músicas de autoria do Poeta da Vila despertou no pesquisador a curiosidade de mexer no seu arquivo e descobrir o que já tinha. Com o surpreendente resultado de 70%, ele resolveu ir atrás dos 30% que faltavam. Coisa de apaixonado. “Conforme você vai estreitando, faltam 10%, 5%, você fica doido para ter tudo e não consegue mais parar”, diz Omar referindo-se à busca desenfreada pelas gravações que precisava encontrar para completar a discografia de Noel. As 31 faixas que faltaram para completar a coleção não entraram porque não foram encontradas gravações ou partituras, nem ninguém que pudesse dar informações sobre como era a melodia. &lt;br /&gt;A coleção, empacotada numa caixa com 7 CDs duplos, vem acompanhada de um livreto de 160 páginas que traz a ficha técnica e a data de todas as músicas, as letras, os intérpretes, curiosidades e até um glossário com os termos comuns da época e hoje já obsoletos. Nos discos estão as primeiras gravações das composições de Noel, dispostas em ordem cronológica, deixando perceptível ao ouvinte a evolução na maneira de compor do sambista da Vila Isabel. &lt;br /&gt;O caminho pelo qual Omar se embrenhou não era fácil. Ele tinha de encontrar as gravações, recuperá-las, para então passar o material para CD sem interferir no som original. “Remasterizar não é simplesmente copiar para CD. É tentar recuperar o registro original sem inferências. No processo de limpeza do som, se não tiver cuidado você pode mexer em certas freqüências e alterar o som original. A platinela do pandeiro, por exemplo, vira triângulo”, explica. A maioria do material manipulado por Jubran eram os antigos 78 rotações, extremamente frágeis, que se desgastam com facilidade. Depois de tocado umas 50 vezes o material já está bem desgastado e o som deturpado. O pesquisador chegou a importar agulhas especiais para 78 rotações e fez questão de usar como fonte apenas discos originais, e não fitas cassete ou CDs remasterizados. O último disco da coleção traz 25 faixas, entre excertos retirados de programas de rádio, como uma faixa em que Aracy de Almeida recita uma estrofe de Feitiço da Vila nunca registrada em disco, e canções gravadas por artistas contemporâneos, como Vânia Bastos e Ná Ozzetti. Essas últimas foram feitas para uma série de 32 programas produzidos por Maria Luiza Kfouri e Valvênio Martins para a Rádio Cultura AM, em 1991. São músicas que nunca tiveram registro em disco, cujas partituras estavam perdidas. O trabalho é resultado do empenho do músico Carlos Didier, que enquanto levantava a discografia de Noel encontrou um ex-aluno de violão do compositor que conhecia músicas inéditas do Poeta da Vila. Armênio Mesquita foi amigo de Noel e letrista do samba-canção Molambo. Na época, Carlos e João Máximo entregaram a ele as fichas com as letras de Noel que haviam sido recolhidas dos arquivos de Almirante e Jacob do Bandolim. “Ele passou uma a uma: 'Essa não conheço, essa não conheço... Essa conheço'.  À sua frente, com o violão, eu o acompanhei em suas interpretações. Armênio Mesquita Veiga era “fonte primária”: viveu a época, freqüentou o chalé da família, teve aulas de violão.  Em história, valem as fontes primárias”, explica Didier.  A partir das lembranças de Armênio as músicas puderam ser gravadas.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Paixão&lt;br /&gt;Professor de biologia, Jubran também se considera um pesquisador de música, coisa que faz movido por uma paixão que começou na infância, quando ouvia mais rádio do que assistia à televisão: “Eu gostava de todo tipo de programa, desde que tivesse começo, meio e fim e não fosse simplesmente tocar uma música”, diz. Enquanto as rádios tocavam Bossa Nova e Beatles, os sucessos daquele momento, Omar se interessava mesmo pelas músicas mais antigas. “Não sei por que, mas me fascinava muito quando tocava uma composição de Noel Rosa. Isso me marcou de &lt;br /&gt;alguma forma”. &lt;br /&gt;Marcou tanto que o pesquisador passou 11 anos de sua vida garimpando e recuperando discos e gravações de Noel em sebos e arquivos de colecionadores sem nenhuma pressa. Era um trabalho de realização pessoal, que foi desenvolvido com muito critério e seriedade. Omar chegou a gastar de 3 a 4 horas para recuperar um trecho de música de apenas cinco segundos. &lt;br /&gt;Um dos maiores desafios dele foi recuperar um disco que se quebrou em três partes, num trabalho que durou 4 meses. Ele não sabe precisar como foi o acidente - se na loja, no transporte ou em casa - mas conta que ao ver o disco quebrado o deixou encostado por um tempo. Como era um exemplar único, do qual ele nunca mais achou outro igual, Jubran resolveu tentar recuperá-lo, sem muita esperança de que desse certo. Primeiro foi feita uma colagem física com superbonder e raspados os excessos com estilete. “Eu nunca achei que aquilo ia dar certo porque, ao colar os sulcos, um milímetro de desvio o som já sai distorcido. E deu certo. Quando eu percebi que fisicamente um trilho entrou no outro eu só precisava ter paciência para recuperá-lo eletronicamente.” Mas a sorte também estava ao seu lado: “O disco estava quebrado de uma maneira que uma parte se encaixava na outra perfeitamente, como um quebra-cabeça”, conta orgulhoso o pesquisador.&lt;br /&gt;Outro desafio chegou quando Jubran conheceu um disco do grupo espírita Aquarius, com canções atribuídas a Noel que o grupo afirmava terem sido psicografadas. Não incluí-las no trabalho foi a opção do pesquisador, já que ficaria com a obrigação de aceitar qualquer outra música que alguém dissesse ter sido feita nas mesmas condições. “Respeito o trabalho, mas preferi ficar apenas no plano material. Se essas composições forem mesmo de Noel, ele está em outra fase, porque não tem nada a ver com o que o foi feito pelo músico enquanto estava vivo”, esclarece. &lt;br /&gt;Depois de já ter vendido o carro para arcar com os gastos da empreitada, Omar recorreu à ajuda dos amigos, que ele mesmo chama de “loucos”. “Eles me deram dinheiro às cegas, sem saber se o que eu estava fazendo ia dar certo ou não”. Nelson Henrique de Castro, um dos oito “loucos”, conta que um dia Omar chegou à porta da escola onde lecionavam e disse: “Você tem 350 contos para me dar?”, “Como assim”, replicou Nelson. O professor explicou que era para terminar a compilação da obra de Noel Rosa e Nelson aceitou. Deu dois cheques para Jubran, que logo alertou: “Não tenho prazo para terminar. Aliás, nem sei se vou conseguir terminar”. O amigo não se importou. “Sempre acreditei que ia dar certo”, afirma Nelson. Com a soma do dinheiro dado pelos 8 amigos Jubran comprou um gravador de CDs, que na época devia custar cerca de R$ 3 mil. Finalizado o trabalho, cada um desses amigos recebeu de Omar uma caixa, que, diferentemente da que foi comercializada, vinha com 9 CDs. “Foi a gravadora que decidiu colocar tudo em 25 CDs. O original estava em nove discos”, diz Omar. &lt;br /&gt;Até 1998, época em que terminou a pesquisa, Omar tinha feito aquilo para satisfação pessoal, mas achava que era um trabalho importante para o Brasil e que o país merecia conhecer a obra de Noel. “Eu acho que realmente não é um trabalho para ficar na prateleira de 8 ou 10 caras. Pelo menos isso vai ficar organizado para a posteridade”. Jubran começou a perceber que não tinha nada similar a isso, nem com artista contemporâneo. “Acho que se hoje você for à melhor loja de discos e pedir todos os discos de Caetano Veloso ou Roberto Carlos, por exemplo, eles não vão ter”. &lt;br /&gt;Talvez tenha sido um pouco de sorte, mas um dos amigos “loucos”, Mário Gaspar Gabbay, dono da loja Marché Discos, apresentou o trabalho de Omar para o jornalista Ruy Castro. O interesse de Ruy virou uma grande matéria publicada no jornal O Estado de S.Paulo do dia 22 de março de 1998, intitulada Para Morrer de Inveja, que começava dizendo: “Se você se interessa pela música popular brasileira do passado – e, nesse caso, será, inevitavelmente, um apaixonado por Noel Rosa –, é melhor sentar-se antes de continuar lendo”. E começa a narrar a saga de Jubran. &lt;br /&gt;Essa matéria deu o pontapé inicial para que o trabalho de Omar despertasse muita curiosidade, embora nenhum interesse em bancar a comercialização. Para não dizer que não houve nenhum interesse, Omar recebeu proposta de uma grande empresa que aceitaria patrocinar o projeto se a obra fosse resumida em apenas dois CDs. Ele, claro, não aceitou.&lt;br /&gt;O projeto acabou viabilizado pela gravadora Velas, em parceria com a Funarte, em 2000, e reeditado em 2007, na ocasião do lançamento do filme Noel – o Poeta da Vila. Se você der sorte ainda pode encontrar a caixa em boas lojas de discos ou em sebos. Mesmo não sendo o tipo de produto que permanece em catálogo, esse projeto trouxe à tona a obra de um dos mais importantes compositores brasileiros e, segundo Omar Jubran, “é um filho que nunca vai morrer. Vai ficar para sempre, para quem quiser ouvir”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6258585036650583533-5246421129629624389?l=guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/feeds/5246421129629624389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6258585036650583533&amp;postID=5246421129629624389' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/5246421129629624389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6258585036650583533/posts/default/5246421129629624389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://guiadamemoriamusicalbrasileira.blogspot.com/2008/12/noel-rosa.html' title='Noel Rosa'/><author><name>Maisa Infante</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14113800390104130613</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
